Casa do Cinza

"O amor não cogita de recompensa. É um sentimento que se basta." Dr. Odilon Fernandes


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Pergunta-me Senhor

Senhor,
Se um dia eu estiver “cheio de vida”, com vontade de sumir, de morrer, insatisfeito comigo e com o mundo em torno de mim…
-Pergunta-me, apenas se eu quero trocar a luz pelas trevas…
-Pergunta-me se eu quero trocar a fartura da mesa posta, pelos restos que tantos vem buscar no lixo.
-Pergunta-me se eu quero trocar meus pés por uma cadeira de rodas.
-Pergunta-me se eu quero trocar minha voz pelos seus gestos.
-Pergunta-me se eu quero trocar o mundo maravilhoso dos sons pelo silêncio dos que nada houvem
-Pergunta-me se eu quero trocar o jornal que leio e depois jogo no lixo, pela miséria dos que vão buscá-lo para fazer dele seu cobertor.
-Pergunta-me se eu quero trocar minha saúde pelas doenças incuráveis de tanta gente.
-Pergunta-me também até quando não reconhecerei as Tuas bênçãos, afim de fazer de minha vida um hino de louvor e gratidão e dizer todos os dias, do fundo de mim:
Obrigado Senhor!


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O Efeito da Cólera


O Efeito da Cólera

Um velho judeu, de alma torturada por pesados remorsos, chegou, certo dia, aos pés de Jesus, e confessou-lhe estranhos pecados.
Valendo-se da autoridade que detinha no passado, havia despojado vários amigos de suas terras e bens, arremessando-os à ruína total e reduzindo-lhes as famílias a doloroso cativeiro. Com maldade premeditada, semeara em muitos corações o desespero, a aflição e a morte.
Achava-se, desse modo, enfermo, aflito e perturbado… Médicos não lhe solucionavam os problemas, cujas raízes se perdiam nos profundos labirintos da consciência dilacerada.
O Mestre Divino, porém, ali mesmo, na casa de Simão Pedro, onde se encontrava, orou pelo doente e, em seguida, lhe disse:
– Vai em paz e não peques mais.
O ancião notou que uma onda de vida nova lhe penetrara o corpo, sentiu-se curado, e saiu, rendendo graças a Deus.
Parecia plenamente feliz, quando, ao atravessar a extensa fila dos sofredores que esperavam pelo Cristo, um pobre mendigo, sem querer, pisou-Ihe num dos calos que trazia nos pés.
O enfermo restaurado soltou um grito terrível e atacou o mendigo a bengaladas.
Estabeleceu-se grande tumulto.
Jesus veio à rua apaziguar os ânimos.
Contemplando a vítima em sangue, abeirou-se do ofensor e falou:
– Depois de receberes o perdão, em nome de Deus, para tantas faltas, não pudeste desculpar a ligeira precipitação de um companheiro mais desventurado que tu?
O velho judeu, agora muito pálido, pôs as mãos sobre o peito e bradou para o Cristo:
– Mestre, socorre-me!… Sinto-me desfalecer de novo… Que será isto?
Mas, Jesus apenas respondeu, muito triste:
– Isso, meu irmão, é o ódio e a cólera que outra vez chamaste ao próprio coração.
E, ainda hoje, isso acontece a muitos que, por falta de paciência e de amor, adquirem amargura, perturbação e enfermidade.
XAVIER, Francisco Cândido. Pai Nosso. Pelo Espírito Meimei. FEB.

por Balbino Amaral


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Francisco Cândido Xavier Abril / 2 de Abril de 1910 / 30 de Junho de 2002.

 

Francisco Cândido Xavier Abril / 2 de Abril de 1910 / 30 de Junho de 2002.

” Tracos Biograficos”

I – NASCIMENTO SUA INICIAÇÃO ESPÍRITA
O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo em todas as épocas nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais Brasil, em 2 de abril de 1910. Viveu, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado. Completou o curso primário, apenas.

Pais: João Cândido Xavier e Maria João de Deus, desencarnados em 1960 e 1915, respectivamente. Infância difícil; foi caixeiro de armazém e modesto funcionário público, aposentado desde 1958.

Em 7 de maio de 1927 participa de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebe muitas poesias e mensagens, várias das quais saíram a público, estampadas à revelia do médium em jornais e revistas, como de autoria de F. Xavier.
Nesse mesmo ano, vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual até hoje.

II – O MENINO CHICO
Desde os 4 anos de idade o menino Chico teve a sua vida assinalada por singulares manifestações.
Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro…
Aquele seu filho era estranho!… De formação católica, o garoto orava com extrema devoção, conforme lhe ensinara D. Maria João de Deus, a querida mãezinha, que o deixaria órfão aos 5 anos.

Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de um gesto de desobediência. As “sombras” amigas, porém, não o deixavam… Conversava com a mãezinha desencarnada, ouvia vozes confortadoras. Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais.

O certo é que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os esqueceu… A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas domésticas foi em sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção indefinível.
Sim, a doença também viera precocemente fazer-lhe companhia. Primeiro os pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois os olhos; agora é a angina.

III – COMEÇO DO SEU MEDIUMATO

Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) iniciou, publicamente, seu mandato mediúnico em 8 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo. Contando 17 anos de idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas. Em noite memorável, os Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da humanidade. Dezessete folhas de papel foram preenchidas, celeremente, versando sobre os deveres do espírita-cristão.

Depoimento de Chico Xavier:

(…) “Era uma noite quase gelada e os companheiros que se acomodavam junto à mesa me seguiram os movimentos do braço, curiosos e comovidos.

A sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora de meu próprio corpo físico, embora junto dele.

No entanto, ao passo que o mensageiro escrevia as dezessete páginas que nos dedicou, minha visão habitual experimentou significativa alteração. As paredes que nos limitavam o espaço desapareceram.

O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite.

Entretanto, relanceando o olhar no ambiente, notei que toda uma assembléia de entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade, em cuja expressão adivinhava, por telepatia espontânea, que me encorajavam em silêncio para o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me para que nada receasse quanto ao caminho a percorrer.”

IV – EMMANUEL E DUAS ORIENTAÇÕES PARA O RESTO DA VIDA

Emmanuel, nos primórdios da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações básicas para o trabalho que deveria desempenhar. Fora de qualquer uma delas, tudo seria malogrado. Eis a primeira. –

“Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus? –

Sim, se os bons espíritos não me abandonarem… respondeu o médium.

– Não será você desamparado – disse-lhe Emmanuel – mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.

– E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? – tornou o Chico.

– Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço… Porque o protetor se calasse o rapaz perguntou:

– Qual é o primeiro? A resposta veio firme:

– Disciplina.
– E o segundo?
– Disciplina.
– E o terceiro?
– Disciplina.”

A segunda mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada:

– “Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.”

V – PRODUÇÃO LITERÁRIA
Em 1932 publica a FEB seu primeiro livro, o famoso “Parnaso de Além-Túmulo”; hoje as obras que psicografou vão a mais de 400.

Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto, francês, inglês, japonês, grego, etc. De moral ilibada, realmente humilde e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie, da mediunidade.

Sua vida privada e pública tem sido objeto de toda especulação possível, na informação falada, escrita e televisionada. Apodos e críticas ferinas, têm-no colhido de miúdo, sabendo suportá-los com verdadeiro espírito cristão. Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra, a França, a Itália, a Espanha e Portugal, sempre a serviço da Doutrina Espírita.

Chico Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional, suas entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo alheias ao Espiritismo; tem aparecido em programas de TV, respondendo a perguntas as mais diversas, orientando as respostas pelos postulados espíritas. Já recebeu o título de Cidadão Honorário de várias cidades: Rio Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Campos, no Estado do Rio de Janeiro, etc., etc.

Dos livros que psicografou já se venderam mais de 12 milhões de exemplares, só dos editados pela FEB, em número de 88. “Parnaso de Além-Túmulo”, a primeira obra publicada em 1932, provocou (e comprovou) a questão da identificação das produções mediúnicas, pelo pronunciamento espontâneo dos críticos, tais como Humberto de Campos, ainda vivo na época,
Agripino Grieco, severo crítico literário, de renome nacional, Zeferino Brasil, poeta gaúcho, Edmundo Lys, cronista, Garcia Júnior, etc. Prefaciando “Parnaso de Além-Túmulo”, escreveu Manuel Quintão: “Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas objetivamente, a sobrevivência de seus intérpretes. É ler Casimiro e reviver ‘Primaveras’; é recitar Castro Alves e sentir ‘Espumas Flutuantes’; é declamar Junqueiro e lembrar a ‘Morte de D. João’; é frasear Augusto dos Anjos e evocar ‘Eu’.”

Romances históricos formam a série Romana, de Emmanuel, composta de: “Há 2000 Anos…”, “50 Anos Depois”, “Ave, Cristo!”, “Paulo e Estevão”, provocando a elaboração do “Vocabulário Histórico-Geográfico dos Romances de Emmanuel”, de Roberto Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos citados nas obras. “Há 2000 Anos…” é o relato da encarnação de Emmanuel à época de Jesus.

De Humberto de Campos (Espírito), aparece, em 1938, o profético e discutido “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, uma história de nossa pátria e dos fatos e ela ligados, em dimensão espiritual.

A série André Luiz é reveladora, doutrinária e científica; com obras notáveis e a maioria completa, no tocante à vida depois da desencarnação, obras anteriores, de Swedenborg, A. Jackson Davis, Cahagnet, G. Vale Owen e outros. Pertencem a essa série: “Nosso Lar”, “Os Mensageiros”, “Missionários da Luz”, “Obreiros da Vida Eterna”, “No Mundo Maior”, “Agenda Cristã”, “Libertação”, “Entre a Terra e o Céu”, “Nos Domínios da Mediunidade”, “Ação e Reação”, “Evolução em dois Mundos”, “Mecanismos da Mediunidade”, “Conduta Espírita”, “Sexo e Destino”, “Desobsessão”, “E a Vida Continua…”.

De parceria com o médium Waldo Vieira, Chico Xavier psicografou 17 obras. A extraordinária capacidade mediúnica de Chico Xavier está comprovada pela grande quantidade de autores espirituais, da mais elevada categoria, que por seu intermédio se manifestam.

Vários de seus livros foram adaptados para encenação no palco e sob a forma de radionovelas e telenovelas. O dom mediúnico mais conhecido de Francisco Xavier é o psicográfico. Não é, todavia, o único. Tem ele, e as exercita constantemente, outras mediunidades, tais como: psicofonia, vidência, audiência, receitista, e outras.

Sua vida, verdadeiramente apostolar, dedicou-a, o médium, aos sofredores e necessitados, provindos de longínquos lugares, e também aos afazeres medianeiros, pelos quais não aceita, em absoluto, qualquer espécie de paga. Os direitos autorais ele os tem cedido graciosamente a várias Editoras e Casas Espíritas, desde o primeiro livro.

Continuando…….
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Sua vida e sua obra têm sido objeto de numerosas entrevistas radiofônicas e televisadas, e de comentários em jornais e revistas, espíritas ou não, e em livros dos quais podemos citar: o opúsculo intitulado “Pinga-Fogo,…
Entrevistas”, obra publicada pelo Instituto de Difusão Espírita, de Araras;

40 Anos no Mundo da Mediunidade”, de Roque Jacintho;

“Trinta Anos com ChicoXavier”, de Clóvis Tavares;

“No Mundo de Chico Xavier”, de Elias Barbosa;

“Lindos Casos de Chico Xavier”, de Ramiro Gama; ”

“A Psicografia ante os Tribunais”, de Miguel Timponi;

“Amor e Sabedoria de Emmanuel”, de Clóvis Tavares;

“Presença de Chico Xavier”, de Elias Barbosa;

“Chico Xavier Pede Licença”, de Irmão Saulo, pseudônimo de Herculano Pires;

“Nosso Amigo Xavier”, de Luciano Napoleão;

“Chico Xavier, o Santo dos Nossos Dias” e “O Prisioneiro de Cristo”, de R. A. Ranieri;

“Chico Xavier – Mandato de Amor”, da U.E.M.;

“As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, etc. .

VI – O CASO HUMBERTO DE CAMPOS
Desencarnado em 1934 o festejado escritor brasileiro Humberto de Campos, o Espírito deste iniciou, em 1937, pela mediunidade de Chico Xavier, a transmissão de várias obras de crônicas e r…
eportagens, todas editadas pe…

Continuando…….

VII – O AMOR DE CHICO XAVIER POR JESUS

Depoimento de Chico Xavier:

“(…) Deus nos permita a satisfação de continuar sempre trabalhando na Grande Causa d’Ele, Nosso Senhor e Mestre.

Desde criança, a figura do Cristo me impressiona. Ao perder minha mãe, aos cinco janeiros de idade, conforme os próprios ensinamentos dela, acreditei n’Ele, na certeza de que Ele me sustentaria.

Conduzido a uma casa estranha, na qual conheceria muitas dificuldades para continuar vivendo, lembrava-me d’Ele, na convicção de que Ele era um amigo poderoso e compassivo que me enviaria recursos de resistência e ao ver minha mãe desencarnada pela primeira vez, com o cérebro infantil sem qualquer conhecimento dos conflitos religiosos que dividem a Humanidade, pedi a ela me abençoasse segundo o nosso hábito em família e lembro-me perfeitamente de que perguntei a ela:

– Mamãe, foi Jesus que mandou a senhora nos buscar? Ela sorriu e respondeu:

– Foi sim, mas Jesus deseja que vocês, os meus filhos espalhados, ainda fiquem me esperando…

Aceitei o que ela dizia, embora chorasse, porque a referência a Jesus me tranqüilizava. Quando meu pai se casou pela segunda vez e a minha segunda mãe mandou me buscar para junto dela, notando-lhe a bondade natural, indaguei:

– Foi Jesus quem enviou a senhora para nos reunir? Ela me disse:

– Chico, isso não sei…

Mas minha fé era tamanha que respondi:

– Foi Ele sim… Minha mãe, quando me aparece, sempre me ala que Ele mandaria alguém nos buscar para a nossa casa.

E Jesus sempre esteve e está em minhas lembranças como um Protetor Poderoso e Bom, não desaparecido, não longe mas sempre perto, não indiferente aos nossos obstáculos humanos, e sim cada vez mais atuante e mais vivo.”

IX – A PALAVRA DE CHICO XAVIER AO COMPLETAR QUARENTA ANOS DE MEDIUNIDADE (1967)
“Estes quarenta anos de mediunidade passaram para o meu coração como se fossem um sonho bom.

Foram quarenta anos de muita alegria, em cujos caminhos, feitos de minutos e de horas, de dias, só encontrei benefícios, felicidades, esperanças, otimismo, encorajamento da parte de todos aqueles que o Senhor me concedeu, dos familiares, irmãos, amigos e companheiros.

Quarenta anos de felicidade que agradeço a Deus em vossos corações, porque sinto que Deus me concedeu nos vossos corações, que representam outros muitos corações que estão ausentes de nós. Agora, sinto que Deus me concedeu por vosso intermédio uma vida tocada de alegrias e bênçãos, como eu não poderia receber em nenhum outro setor de trabalho na Humanidade. Beijo-vos, assim, as mãos, os corações.

Quanto ao livro, devo dizer que, certa feita, há muitos anos, procurando o contato com o Espírito de nosso benfeitor Emmanuel, ao pé de uma velha represa, na terra que me deu berço na presente encarnação, muitas vezes chegava ao sítio, pela manhã, antes do amanhecer. E quando o dia vinha de novo, fosse com sol, fosse com chuva, lá estava, não muito longe de mim, um pequeno charco.

Esse charco, pouco a pouco se encheu de flores, pela misericórdia de Deus, naturalmente.

E muitas almas boas, corações queridos, que passavam pelo mesmo caminho em que nós orávamos, colhiam essas flores, e as levavam consigo com transporte de alegria e encantamento.

Enquanto que o charco era sempre o mesmo charco.

Naturalmente, esperando também pela misericórdia de Deus, para se transformar em terra proveitosa e mais útil.

Creio que nesses momentos, em que ouço as palavras desses corações maravilhosos, que usaram o verbo para comentar o aparecimento desses cem livros, agora cento e dois livros, lembro este quadro que nunca me saiu da memória, para declararvos que me sinto na condição do charco que, pela misericórdia de Deus, um dia recebeu essas flores que são os livros, e que pertencem muito mais a vós outros do que a mim.

Rogo, assim, a todos os companheiros, que me ajudem através da oração, para que a luta natural da vida possa drenar a terra pantanosa que ainda sou, na intimidade do meu coração, para que eu possa um dia servir a Deus, de conformidade com os deveres que a Sua infinita misericórdia me traçou.

E peço, então, permissão, em sinalde agradecimento, já que não tenho palavras para exprimir a minha gratidão.

Peço-vos, a todos, licença para encerrar a minha palavra despretensiosa, com a oração que Nosso Senhor Jesus Cristo nos legou.”

Fonte: “O Espírita Mineiro”, número 137, Abril/ Maio/ Junho de 1970.

XII – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em 1997, Chico Xavier completou 70 anos de incessante atividade mediúnica, da maior significação espiritual, em prol da Humanidade, abrangendo seus mais diversos segmentos.

Até a presente data, outubro de 1997, Francisco Cândido Xavier psicografou mais de 400 (quatrocentas) obras mediúnicas, de centenas de autores espirituais, abarcando os mais diversos e
diferentes assuntos, entre poesias, romances, contos, crônicas, história geral e do Brasil, ciência, religião, filosofia, literatura infantil, etc.

Dias e noites têm sido por ele ofertados aos seus semelhantes, com sacrifício da própria saúde.

Problemas orgânicos acompanharam-lhe a mocidade e a madureza. Hoje, nos abençoados 87 anos de sua vida corporal, as dificuldades físicas continuam trazendo-lhe problemas.

Releva observar que as doenças oculares a as intervenções cirúrgicas jamais o impediram de cumprir, fiel e dignamente, sua missão de amparo aos necessitados.

Sua postura é uma só, obedece a uma só diretriz: amor ao próximo, desinteresse ante os bens materiais, preocupação exclusiva e constante com a felicidade do próximo.

Ricos e pobres, velhos e crianças, homens e mulheres de todos os níveis sociais têm encontrado, no homem e no médium Chico Xavier, tudo quanto necessitam para o reajuste interior, para o crescimento, em função do conhecimento e da bondade. Francisco Cândido Xavier é um presente do Alto ao século XX, enriquecendo-lhe os valores com a sua vida de exemplar cidadão, com milhares de mensagens psicográficas que, em catadupas de paz e luz, amor e esclarecimento, vêm fertilizando o solo planetário, sob a luminar supervisão do Espírito Emmanuel.


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Criação do Espírito

Criação do Espírito

Em vários pontos dos ensinamentos contidos na Doutrina Espírita, os Espíritos Superiores, responsáveis pelo trabalho da codificação realizada pela pessoa de Allan Kardec, se referem a nossa capacidade de compreensão sobre alguns assuntos com frases do tipo: “porque não falais senão do que conheceis” (O Livro dos Espíritos questão 22), “falta-lhe para isso o sentido” (O Livro dos Espíritos questão 10), “ser incompleta a vossa linguagem” (O Livro dos Espíritos questão 28), etc; significando que muitos conhecimentos ainda estão longe da nossa capacidade de compreensão.

Entre muitos exemplos que se poderia citar sobre a nossa incapacidade de compreensão, devido a nossa situação evolutiva, seria a compreensão da natureza de Deus. A simples tentativa de compreender um ser que seja perfeito, em todas as qualidades possíveis e imagináveis, considerando que ainda não temos a compreensão de qualidades outras, diversas das poucas que conhecemos, já seria um exercício mental estafante, além de nossos limites. No entanto, Kardec, no livro A Gênese, capítulo II item 8, diz que:

“Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-Lo, ainda nos falta o

sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito. Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

“Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.”

Este texto não tem a pretensão de esclarecer ou desvendar os ainda mistérios envolvendo a criação dos espíritos, compreendemos a nossa pouca capacidade, relativa ao nosso estágio inicial no longo processo do caminho à perfeição mas, apenas expor algumas considerações, tentando, assim, dar alguma forma ao assunto.

Na questão 81 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os Espíritos são formados espontaneamente ou procedem uns dos outros, e obtém como resposta o seguinte: “Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.”

Esta questão foi selecionada por dois motivos. O primeiro é para assegurar ao leitor que temos consciência de que os Espíritos deixam claro que a origem do espírito é um mistério; o segundo motivo é para salientar que, apesar de tudo, podemos ainda formar uma idéia da origem dos espíritos, por mais geral que seja, sabemos que somos criação de Deus. Fica claro que o espírito não surge do nada, não surge espontaneamente, a origem do espírito está atrelada à vontade de alguém ou alguma coisa, isto é, de Deus.

Como o ponto de partida para qualquer estudo relativo ao Espiritismo, recorrendo ao O Livro dos Espíritos, veremos várias citações a respeito da natureza do espírito. Na questão 23 a, Kardec pergunta qual seria a natureza íntima do Espírito, ao que os Espíritos respondem: “Não é fácil
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analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

Nesta questão, os Espíritos responsáveis pela codificação deixam claro que os espíritos são formados por alguma “coisa”, possuem uma constituição sem, todavia, esclarecer sobre a natureza desta “coisa”. Contudo, graças à mente perspicaz de Kardec, durante todo o seu trabalho na Doutrina, manteve-se sempre atento a possíveis lacunas nos ensinamentos. Uma doutrina, seja ela sobre que assunto for, quando é passível de dúvidas e colocações em aberto, não poderia ser considerada como sendo completa e, com isso, daria margens a especulações de toda natureza permitindo, a qualquer um, utilizando má fé, usa-la em seu próprio benefício através de interpretações pessoais.

Encontraremos maiores esclarecimentos na questão 27:

Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?

“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

Desta questão é possível tirar algumas informações passíveis de análise. Tentaremos analisa-las da melhor forma que nossa capacidade nos permite.

Primeiramente, como os próprios Espíritos colocam, o fluido cósmico até pode ser considerado como matéria, todavia, é preciso ter em mente que este apresenta características outras que não estão presentes na matéria. É preciso deixar claro que por “matéria” não está apenas sendo considerado a matéria densa que conhecemos mas, também, estados variados do fluido cósmico, com diferentes densidades, apenas excluindo o fluido cósmico na sua forma mais pura, primordial.

Outra afirmação muito interessante e que merece toda a atenção é que “se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse”. O que isto poderia significar? Pode-se chegar a duas conclusões: a) que o espírito é formado por fluido cósmico; b) que o espírito é formado por “algo” similar ao fluido cósmico. Como a existência de duas substâncias, vamos denominar de “substâncias” apenas pela limitação do vocabulário, em nossa visão ainda muito estreita, seria desnecessário e, mesmo que existissem, no nosso ponto de vista, até onde nossa mente pode alcançar, seriam equivalentes e se justaporiam, podemos, assim, considerar apenas uma substância – o fluido cósmico.

Há duas formas de encarar o que foi visto:

1- Se considerarmos o fluido cósmico como matéria, então, o espírito também seria matéria;
2- Se considerarmos o fluido cósmico como não sendo matéria, então, o espírito seria imaterial.
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Dois pensamentos muito comuns no meio Espírita é considerar o fluido cósmico como sendo matéria e considerar o espírito como sendo imaterial. Apesar dos Espíritos deixarem bem claro, na questão 82, que “Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

Diante do que foi exposto, de acordo com as questões 27 e 82, vemos que uma consideração errônea sobre a natureza tanto do fluido cósmico quanto do espírito, gera uma discordância e, com isso, promove uma dificuldade de entendimento destas questões.

No livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis apresenta uma definição para o fluido cósmico que torna um pouco mais claro a sua natureza diferente de matéria. Diz que “o fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio.”

Nesta definição, o fluido cósmico é apresentado como algo muito próximo da divindade, estando de alguma forma tão próximo que como que faz parte (quando se refere como “força nervosa”). Nesta condição, podemos entender quando o próprio André Luis, no livro Mecanismos da Mediunidade, pg. 43, diz que “Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo…” e, na pg. 44, quando diz que “Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura…”.

Novamente no livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis diz que “o Espírito Criado pode formar ou co-criar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade” referindo-se ao trabalho dos Espíritos superiores, como ele mesmo se refere, “Inteligências Divinas a Ele agregadas”, enfatizando serem Espíritos em tamanho grau de evolução que se encontram em íntima comunhão com o Pai. Estes Espíritos trabalham na construção e manutenção dos corpos celestes do Universo.

Esta construção, como o próprio André Luis se refere, é realizada através da ação dos corpúsculos sob irradiação da mente, ondas eletromagnéticas, agindo nos fluidos de forma a aumentar sua densidade, transformando na matéria por nós conhecida.

Estas massas de matéria, com o tempo, sob a pressão constante a que estão submetidas para se manterem aglutinadas, sofrem, o que, em nossos termos, para os fenômenos conhecidos com a matéria na Terra, chamamos de corrosão por fadiga. Corrosão ocorrida pelo esforço contínuo que certo material estaria sujeito quando se aplica uma tensão constante, este material, com o tempo, sofreria um enfraquecimento de sua estrutura atômica, quando estaria sujeito a partir sob o mínimo esforço.

Os corpos estrelares, da mesma forma, “sofrem o colapso atômico pelo qual se transmutam em astros cadaverizados. Essas esferas mortas, contudo, volvem a novas diretrizes do Agentes Divinos, que dispõem sobre a desintegração dos materiais de superfície, dando ensejo a que os elementos comprimidos se libertem através de explosão ordenada, surgindo novo acervo corpuscular para a reconstrução das moradias celestes, nas quais a obra de Deus se estende e perpetua, em sua glória criativa.” (Evolução em Dois Mundos, pg. 23).

Poder-se-ia dizer, com base em tudo o que foi apresentado que, o Espírito criado é capaz, com o poder mental, apenas de criações temporárias, utilizando o fluido em seus diversos graus de densidade, criações estas cujas dimensões e duração dependerá exclusivamente do seu nível
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evolutivo, mas Deus, sendo “a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” (O Livro dos Espíritos, questão 1), é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, das características materiais do fluido cósmico, é criado o princípio material e das características outras, é criado o princípio inteligente.

Deus, pela sua vontade, é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, criar Espíritos imortais, seus filhos, obviamente que, a forma como os cria, ainda permanece um mistério…

Claudio C. Conti – ccconti@bol.com.br

Referência:

[1] Kardec A.; “O Livro dos Espíritos”; 76ª edição, FEB, 1995.
[2] Kardec A.; “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”; 36ª edição, FEB, 1995.

[3] ANDRÉ LUIS; “Evolução em Dois Mundos” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.

[4] ANDRÉ LUIS; “Mecanismos da Mediunidade” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.

(Artigo originalmente publicado pela Casa Editora O Clarim na edição de fevereiro de 2002 da Revista Internacional de Espiritismo)
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Criação do Espírito

Em vários pontos dos ensinamentos contidos na Doutrina Espírita, os Espíritos Superiores, responsáveis pelo trabalho da codificação realizada pela pessoa de Allan Kardec, se referem a nossa capacidade de compreensão sobre alguns assuntos com frases do tipo: “porque não falais senão do que conheceis” (O Livro dos Espíritos questão 22), “falta-lhe para isso o sentido” (O Livro dos Espíritos questão 10), “ser incompleta a vossa linguagem” (O Livro dos Espíritos questão 28), etc; significando que muitos conhecimentos ainda estão longe da nossa capacidade de compreensão.

Entre muitos exemplos que se poderia citar sobre a nossa incapacidade de compreensão, devido a nossa situação evolutiva, seria a compreensão da natureza de Deus. A simples tentativa de compreender um ser que seja perfeito, em todas as qualidades possíveis e imagináveis, considerando que ainda não temos a compreensão de qualidades outras, diversas das poucas que conhecemos, já seria um exercício mental estafante, além de nossos limites. No entanto, Kardec, no livro A Gênese, capítulo II item 8, diz que:

“Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-Lo, ainda nos falta o

sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito. Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

“Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.”

Este texto não tem a pretensão de esclarecer ou desvendar os ainda mistérios envolvendo a criação dos espíritos, compreendemos a nossa pouca capacidade, relativa ao nosso estágio inicial no longo processo do caminho à perfeição mas, apenas expor algumas considerações, tentando, assim, dar alguma forma ao assunto.

Na questão 81 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os Espíritos são formados espontaneamente ou procedem uns dos outros, e obtém como resposta o seguinte: “Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.”

Esta questão foi selecionada por dois motivos. O primeiro é para assegurar ao leitor que temos consciência de que os Espíritos deixam claro que a origem do espírito é um mistério; o segundo motivo é para salientar que, apesar de tudo, podemos ainda formar uma idéia da origem dos espíritos, por mais geral que seja, sabemos que somos criação de Deus. Fica claro que o espírito não surge do nada, não surge espontaneamente, a origem do espírito está atrelada à vontade de alguém ou alguma coisa, isto é, de Deus.

Como o ponto de partida para qualquer estudo relativo ao Espiritismo, recorrendo ao O Livro dos Espíritos, veremos várias citações a respeito da natureza do espírito. Na questão 23 a, Kardec pergunta qual seria a natureza íntima do Espírito, ao que os Espíritos respondem: “Não é fácil

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analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

Nesta questão, os Espíritos responsáveis pela codificação deixam claro que os espíritos são formados por alguma “coisa”, possuem uma constituição sem, todavia, esclarecer sobre a natureza desta “coisa”. Contudo, graças à mente perspicaz de Kardec, durante todo o seu trabalho na Doutrina, manteve-se sempre atento a possíveis lacunas nos ensinamentos. Uma doutrina, seja ela sobre que assunto for, quando é passível de dúvidas e colocações em aberto, não poderia ser considerada como sendo completa e, com isso, daria margens a especulações de toda natureza permitindo, a qualquer um, utilizando má fé, usa-la em seu próprio benefício através de interpretações pessoais.

Encontraremos maiores esclarecimentos na questão 27:

Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?

“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

Desta questão é possível tirar algumas informações passíveis de análise. Tentaremos analisa-las da melhor forma que nossa capacidade nos permite.

Primeiramente, como os próprios Espíritos colocam, o fluido cósmico até pode ser considerado como matéria, todavia, é preciso ter em mente que este apresenta características outras que não estão presentes na matéria. É preciso deixar claro que por “matéria” não está apenas sendo considerado a matéria densa que conhecemos mas, também, estados variados do fluido cósmico, com diferentes densidades, apenas excluindo o fluido cósmico na sua forma mais pura, primordial.

Outra afirmação muito interessante e que merece toda a atenção é que “se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse”. O que isto poderia significar? Pode-se chegar a duas conclusões: a) que o espírito é formado por fluido cósmico; b) que o espírito é formado por “algo” similar ao fluido cósmico. Como a existência de duas substâncias, vamos denominar de “substâncias” apenas pela limitação do vocabulário, em nossa visão ainda muito estreita, seria desnecessário e, mesmo que existissem, no nosso ponto de vista, até onde nossa mente pode alcançar, seriam equivalentes e se justaporiam, podemos, assim, considerar apenas uma substância – o fluido cósmico.

Há duas formas de encarar o que foi visto:

1-  Se considerarmos o fluido cósmico como matéria, então, o espírito também seria matéria;
2-  Se considerarmos o fluido cósmico como não sendo matéria, então, o espírito seria imaterial.

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Dois pensamentos muito comuns no meio Espírita é considerar o fluido cósmico como sendo matéria e considerar o espírito como sendo imaterial. Apesar dos Espíritos deixarem bem claro, na questão 82, que “Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

Diante do que foi exposto, de acordo com as questões 27 e 82, vemos que uma consideração errônea sobre a natureza tanto do fluido cósmico quanto do espírito, gera uma discordância e, com isso, promove uma dificuldade de entendimento destas questões.

No livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis apresenta uma definição para o fluido cósmico que torna um pouco mais claro a sua natureza diferente de matéria. Diz que “o fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio.”

Nesta definição, o fluido cósmico é apresentado como algo muito próximo da divindade, estando de alguma forma tão próximo que como que faz parte (quando se refere como “força nervosa”). Nesta condição, podemos entender quando o próprio André Luis, no livro Mecanismos da Mediunidade, pg. 43, diz que “Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo...” e, na pg. 44, quando diz que “Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura...”.

Novamente no livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis diz que “o Espírito Criado pode formar ou co-criar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade” referindo-se ao trabalho dos Espíritos superiores, como ele mesmo se refere, “Inteligências Divinas a Ele agregadas”, enfatizando serem Espíritos em tamanho grau de evolução que se encontram em íntima comunhão com o Pai. Estes Espíritos trabalham na construção e manutenção dos corpos celestes do Universo.

Esta construção, como o próprio André Luis se refere, é realizada através da ação dos corpúsculos sob irradiação da mente, ondas eletromagnéticas, agindo nos fluidos de forma a aumentar sua densidade, transformando na matéria por nós conhecida.

Estas massas de matéria, com o tempo, sob a pressão constante a que estão submetidas para se manterem aglutinadas, sofrem, o que, em nossos termos, para os fenômenos conhecidos com a matéria na Terra, chamamos de corrosão por fadiga. Corrosão ocorrida pelo esforço contínuo que certo material estaria sujeito quando se aplica uma tensão constante, este material, com o tempo, sofreria um enfraquecimento de sua estrutura atômica, quando estaria sujeito a partir sob o mínimo esforço.

Os corpos estrelares, da mesma forma, “sofrem o colapso atômico pelo qual se transmutam em astros cadaverizados. Essas esferas mortas, contudo, volvem a novas diretrizes do Agentes Divinos, que dispõem sobre a desintegração dos materiais de superfície, dando ensejo a que os elementos comprimidos se libertem através de explosão ordenada, surgindo novo acervo corpuscular para a reconstrução das moradias celestes, nas quais a obra de Deus se estende e perpetua, em sua glória criativa.” (Evolução em Dois Mundos, pg. 23).

Poder-se-ia dizer, com base em tudo o que foi apresentado que, o Espírito criado é capaz, com o poder mental, apenas de criações temporárias, utilizando o fluido em seus diversos graus de densidade, criações estas cujas dimensões e duração dependerá exclusivamente do seu nível

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evolutivo, mas Deus, sendo “a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” (O Livro dos Espíritos, questão 1), é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, das características materiais do fluido cósmico, é criado o princípio material e das características outras, é criado o princípio inteligente.

Deus, pela sua vontade, é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, criar Espíritos imortais, seus filhos, obviamente que, a forma como os cria, ainda permanece um mistério...

Claudio C. Conti – ccconti@bol.com.br

Referência:

[1] Kardec A.; “O Livro dos Espíritos”; 76ª edição, FEB, 1995. 
[2] Kardec A.; “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”; 36ª edição, FEB, 1995. 

[3] ANDRÉ LUIS; “Evolução em Dois Mundos” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997. 

[4] ANDRÉ LUIS; “Mecanismos da Mediunidade” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997. 

(Artigo originalmente publicado pela Casa Editora O Clarim na edição de fevereiro de 2002 da Revista Internacional de Espiritismo)

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