Casa do Cinza

"O amor não cogita de recompensa. É um sentimento que se basta." Dr. Odilon Fernandes

MEDIUNIDADE EM ESTUDO – Odilon Fernandes/ C. Baccelli cap 10

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MEDIUNIDADE E DESCRENÇA

“O  espírito  desencarnado ao  dirigir-se ao  espírito encarnado  do médium, não lhe/ala nem em francês, nem  em  inglês,  mas  na  língua universal,  que  é  a  do pensamento;  para  traduzir  suas  ideias  na  linguagem articulada,  transmissível,  ele  tira  suas  palavras do  vocabulário  do  médium.”  (Cap.  XIX  – Papel  do médium  nas  comunicações espíritas,  item  15) O  médium  deve  dispensar  os  espíritos,  que  por  ele  se  comunicam,  de  lhe  dar uma  prova  pessoal  da  imortalidade. A  questão  da  sobrevivência  da alma,  após  a  morte  do  corpo,  carece  de  ser previamente  solucionada  por  ele,  sob  pena de  transformar-se  o  próprio  medianeiro  no maior  obstáculo  ao  intercâmbio  legítimo entre  as  Duas  Esferas. A princípio,  os  espíritos  não  entram  em contato  com  os  encarnados  tendo  o  propósito de  convencê-los  acerca  das  realidades  da  Vida Espiritual,  mesmo  porque  crer  ou  não  crer  é pertinente  a  cada  um. Os  desencarnados,  em  seus  comunicados  de  além-túmulo,  por  mais  convincentes  sejam,  apenas  fornecem  subsídios  para a  crença,  que,  em  última  análise,  é  conquista individual  e  intransferível. A certeza  de  que  um  médium  possua da  Vida,  após  a  morte,  se  traduz  em  suas atitudes  no  cotidiano  – ela  se  reflete  em  seu modo  de  viver. Assim,  que  o  medianeiro,  seja  qual  for a  sua  faculdade,  se  limite  ao  cumprimento do  dever  a  que  é  chamado,  procurando  não extrapolar  em  suas  atribuições. Pregando  em  Nazaré,  cidade  em  que crescera,  diz-nos  Mateus,  no  capítulo  13, versículo  58,  de  suas  anotações,  que  Jesus “não  fez  ali  muito  milagres,  por  causa  da incredulidade  deles.”
Ora,  está  claro:  Jesus  não  fez  muitos milagres  em  Nazaré,  mas  os  fez,  e,  mesmo assim,  não  logrou  a  adesão  da  maioria… Testemunhando  os  prodígios  que  eram feitos  aos  seus  olhos,  por  se  suporem iludidos,  eles  não  acreditavam! Marcos,  no  Evangelho  de  sua  autoria, capítulo  3,  versículo  21,  afirma  categórico: “E  quando  os  parentes  de  Jesus  ouviram isto,  saíram  para  o  prender,  porque  diziam: Está  fora  de  si”. O  Cristo,  que  era  o  Cristo,  sequer logrou,  à  exceção  de  sua  Mãe,  convencer  os próprios  familiares! Os  fenômenos  das  mesas  girantes, que  empolgaram  toda  a  Europa  e  a  América do  Norte,  resultando  na  Codificação Espírita,  não  foram  capazes  de  subtrair  ao comodismo  milhares  de  indiferentes  que  os puderam  presenciar  à  saciedade. Durante  três  anos  consecutivos, Sir  William  Crookes,  um  dos  físicos  mais destacados  do  século  XIX,  realizou  experiências  com  a  médium  adolescente  Florence  Eliza Cook,  observando  as  frequentes  materiazações de  Katie  King,  enviando  extenso  relatório  sobre  a  autenticidade  do  fenômeno  à Royai  Society,  de  Londres,  que  simplesmente o arquivou,  dando  o  caso  por  encerrado. Que  o  médium,  portanto,  no  anseio, por  vezes  justo,  de  ser  instrumento  de  crença na  imortalidade  aos  cépticos,  não  corra  o risco  de  ridicularizar  a  própria  fé. A  crença  na  sobrevivência  da  alma está  afeta  à  maturidade  do  senso  moral  e não  apenas  ao  intelecto. Que  cada  medianeiro  se  limite  a  ser  o médium  que  é,  convicto  de  que,  no  cumprimento  regular  do  dever  que  lhe  cabe,  no exercício  de  suas  modestas  faculdades,  ele estará  fazendo  a  parte  que  lhe  compete  pela vitória  do  Ideal. Sobretudo,  conscientizemo-nos  de que,  se  a  mediunidade  consegue  sobreviver à  dúvida  dos  que,  não  raro,  dela  escarnecem publicamente,  sempre  sucumbe  à  fragilidade espiritual  de  seu  portador. De  maneira  geral,  os  médiuns,  na presente  experiência  reencarnatória,  lidando com  as  suas  faculdades  incipientes,  estão trabalhando  na  construção  da  fé  em  si mesmos,  para,  depois  – e  somente  depois  -, se  transfigurarem  em  elementos  de  crença para  os  semelhantes.

Autor: Casa do Cinza - Centro Espírita

Casa do cinza é um centro espírita fundado pelo Dr. Odilon Fernandes em homenagem ao seu pai Ludovice Fernandes (Cinza). Este centro foi o primeiro a acolher Chico Xavier quando de sua chegada a Uberaba.

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