Casa do Cinza

"O amor não cogita de recompensa. É um sentimento que se basta." Dr. Odilon Fernandes


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A vida é uma dança… André Luiz

A vida é uma dança…

Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa… nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor. 

Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida… dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.

Não se apavore com as doenças… elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos  fazer neste planeta. O universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas…

Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.

Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada.  Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.

E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.

Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas. 

Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz… Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo. É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso. 

O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira  classe.      

              ANDRÉ LUIZ…


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NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 6

​O diálogo prosseguia interessante e me despertava a curiosidade, ante as 

abordagens efetuadas por Odilon, o companheiro que, por assim dizer, se 

especializara no serviço do intercâmbio com os homens, trabalhando 

exaustivamente pela fé espírita. Nosso irmão não poupava esforços no sentido de 

divulgar a crença na imortalidade e entendia que os médiuns eram chamados a 

cumprir relevante papel, no combate ao materialismo. 

— Dr. Inácio — indagou-me Paulino —, além de médico na Terra, o senhor 

exercia a mediunidade? 

— Na acepção da palavra, não — respondi —, mas em seu significado 

profundo, sim. Hoje percebo que convivia com os espíritos freqüentemente e, de 

maneira inconsciente, conversava com eles o tempo todo. Além do contato que 

me era possível manter, ostensivamente, com o Mundo Espiritual, através da 

faculdade mediúnica de Maria Modesto Cravo, a nossa Modesta, os doentes com 

os quais lidava no Sanatório eram intérpretes em potencial dos desencarnados — 

para mim, às vezes era difícil saber com quem estava verdadeiramente 

conversando, se com o obsidiado ou se com o obsessor. Em minha casa, quando 

me encontrava à sós, entregue às minhas reflexões, procurando inspiração para 

os meus escritos, embora não pudesse identificá-las, devido, digamos, ao meu 

couro grosso, eu registrava a benéfica presença de diversas entidades que me 

rodeavam… 

Os espíritos sempre andaram comigo e, se assim não tivesse sido, é possível que 

eu não tivesse levado até ao fim a árdua tarefa que fui chamado a desempenhar; 

os ataques, as perseguições e as tramas urdidas contra as nossas atividades 

eram muito grandes. Por mais de uma vez, segundo pude constatar 

posteriormente, a minha morte chegou a ser cogitada pelos adversários da 

Doutrina… De modo que, médium, ao meu ver, não é só aquele que se encontra 

no exercício mais ou menos ostensivo de suas faculdades. Concorda, Odilon? 

— Claro, Inácio — respondeu sem evasivas o Orientador—, aliás, em matéria de 

mediunidade, a sintonia natural é aquela que se deseja, sem que o médium tenha, 

necessariamente, de “perder” a lucidez; o transe mediúnico pode ocorrer de 

maneira quase imperceptível, sem necessidade de que o médium sofra alterações 

físicas de vulto, evidenciando o fenômeno… 

Músicos, escritores, atores no ato de representar, pintores, enfim, todos aqueles 

que, principalmente, procuram o cultivo de sensibilidade, são médiuns em 

potencial, porqüanto, estejam no corpo ou fora dele, os que têm aspirações em 

comum se atraem; em mediunidade, também é válido o aforisma de que 

“semelhante atrai semelhante”… 

Aparteando, Paulino questionou-me: 

— Diante do exposto, o senhor não acha, Dr. Odilon, muito dificil que as 

inteligências que se opõem à emancipação espiritual encarnada colimem os seus 

objetivos, no que tange ao bloqueio das comunicações? 

– Sem dúvida, Paulino — esclareceu o interpelado —, no entanto há de se fazer 

uma ressalva. Presentemente, a mediunidade que constrói os valores do espírito e 

enfatiza as lições do Evangelho é a de que o Espiritismo nos ensina o cultivo. Na 

Doutrina, temos um movimento organizado e inteligente das Falanges Superiores 

que, em nome do Cristo, objetivam o despertar da criatura encarnada; a 

mediunidade não vale só por si, pois, neste sentido, desde épocas imemoriais, os 

homens têm se colocado em contato com os habitantes do Invisível… Através dos 

canais espíritas, estabelecidos por Allan Kardec, sob as diretrizes do Espírito 

Verdade, éque a mediunidade passou a servir à edificação espiritual da 

Humanidade como um todo; antes que o Espiritismo estabelecesse determinados 

parâmetros para o intercâmbio dos vivos com os mortos, a mediunidade não 

passava de mero instrumento de curiosidade que se vulgariza… E isto, Paulino, 

que incomoda os espíritos que não desejam se expor às Leis que regem os 

princípios da evolução para o mundo íntimo; na verdade, os espíritos que pelejam 

contra a Doutrina estão defendendo a própria posição, de vez que não querem se 

submeter à Reencarnação e ao Carma, como se lhes fosse possível escapar, 

indefinidamente, das Leis que o Criador instituiu para todas as criaturas.. 

– Eu ainda não havia pensado nisto… — comentou, reticente, o jovem amigo. 

– O Espiritismo — continuou Odilon — representa, na atualidade, o Cristianismo 

puro; à medida em que um maior número adere a ele, os espíritos recalcitrantes 

vão se sentindo forçados a se afastar da psicosfera do Planeta e, através desse 

distanciamento, caem nas malhas gravitacionais de outros orbes ou de outras 

dimensões extra-físicas, tornando-se então realidade para eles o chamado 

“expurgo planetário”; sem receptividade mental, os espíritos afeitos às sombras 

não sustentarão a sua necessidade de escuridão, ou seja: iluminando a mente 

humana, o Espiritismo desfaz a sintonia que as trevas mantêm com o seu 

hospedeiro, que é o médium não-consciente de suas responsabilidades e deveres. 

— Então — questionou Manoel Roberto, tão impressionado quanto eu com 

o que ouvíamos —, deveremos esperar ataques sempre mais acirrados contra as 

trincheiras do Movimento?… 

É evidente, Manoel — esclareceu o devotado amigo —; os espíritos indiferentes 

aos propósitos do Senhor farão de tudo para desestabilizar o Movimento e 

comprometer a Doutrina… 

E qual o seu alvo de eleição? Preferencialmente os médiuns, que são os espíritas 

de uma vida mais pública e estão sob a mira das lentes da opinião pública; além 

de tentar envolvê-los moralmente em delicadas situações, ocasionando 

escândalos para o enfraquecimento da fé, haverão de tentar manipular-lhes a 

vaidade e o personalismo, sabedores de que os médiuns nada mais são do que 

seres humanos que, por vezes, parecem se esquecer dessa sua condição. 

— E por que, Dr. Odilon — tornou Paulíno a interrogar —, o Plano Espiritual 

não desce à Terra de vez?… 

— Compreendo, Paulino, o alcance de sua colocação, mas não podemos nos 

esquecer de que, pelo menos duas vezes, no sentido coletivo semelhante medida 

já foi tomada — a primeira, quando da festa de Pentecostes, em que, de acordo 

com as narrativas, “todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em 

certas línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” e cerca de três mil 

pessoas se converteram de uma só vez; a segunda, quando do chamado 

fenômeno das “mesas girantes”, que antecederam a Codificação… Se a terra não 

está preparada, é inútil lançar-se-lhe a semente. Reparemos na cura efetuada por 

Jesus em dez leprosos, de uma só vez: apenas um deles, após ter se mostrado ao

sacerdote, voltou para agradecer — agradeceu, mas o Evangelho não diz que ele 

tenha se tornado adepto… 

— O mesmo acontecia no Sanatório — acrescentei com conhecimento de 

causa. 

Raríssimos daqueles que se tratavam conosco e alcançavam a graça da cura de 

suas obsessões, admitiam, depois, o beneficio que o Espiritismo lhes havia 

prestado; no caso dos dez leprosos, o reconhecimento foi de um décimo, mas dos 

internos do Sanatório a percentagem era quase inexpressiva: a maioria, inclusive, 

chegava a esconder que estivera sob tratamento num hospital espírita; as famílias 

mais abastadas e, conseqüentemente, mais preconceituosas, quando iam levar 

um doente para ser internado chegavam a nos fornecer dele uma identidade 

falsa… A Humanidade sempre foi hipócrita! — sentenciei com um muxoxo. 

Sorrindo do meu jeito de ser, Odilon observou: 

— Inácio, meu bom amigo, a Humanidade somos nós!…

— Infelizmente — concluí, convidando Odilon e Paulino para que nos 

acompanhassem, a mim e a Manoel Roberto, na visita inadiável que 

necessitávamos de fazer a um dos nossos pacientes que estava em crise.


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Psicografia de Vianna de Carvalho – Divaldo P. Franco

​O Evangelho Segundo o Espiritismo
A Revolução Francesa, ao libertar o ser humano da escravidão política, quando passou a entoar o hino da liberdade, da igualdade e da fraternidade, desenhou e inscreveu, com sacrifícios inomináveis, os direitos do homem e os da mulher nos grandiosos códigos da Justiça.

No fragor das lutas intérminas, os objetivos dos filósofos e dos idealistas da primeira hora foram substituídos pela alucinação dos famigerados assassinos do período do Terror, insculpindo no destino do país lamentáveis consequências, que seriam sofridas em amarguras indescritíveis.

Nesse enlouquecer das paixões asselvajadas, as turbas napoleônicas estimularam seus exércitos a expandir os horizontes da Flor de Lis por outros países europeus, que passaram a submeter-se-lhes, após as batalhas memoráveis.

Ao tornar-se Imperador da França, em 2 de dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte governou o imenso território conquistado, até o período das desditas de 1815, com a derrota na batalha de Waterloo, durante os dias 16 a 19 de junho, com a sua respectiva prisão e exílio vergonhosos.

Houvera retornado a Paris por 100 dias, num verdadeiro golpe de Estado, para perder-se e, em Santa Helena, encerrar a jornada terrestre no dia 5 de maio de 1821, quando desencarnou.

Os céus da França encontravam-se plúmbeos e a sua psicosfera permanecia carregada dos ódios seculares que se prolongavam, desde a Noite de São Bartolomeu, nos trágicos 23 para 24 de agosto de 1572…

A religião dominante, enceguecida pelo poder temporal, manteve-se pela força da hediondez e da criminalidade, restaurada pela mão de ferro de Carlos Luiz Napoleão III, cognominado por Victor Hugo, como O Pequeno.

Desde o século XVII, quando houve a ruptura entre a Ciência e a Religião, a negação da fé religiosa substituiu a crença tradicional e cega, passando a predominar nos arraiais intelectuais e nas academias, o conhecimento, a experiência de laboratório, em vez da ingenuidade imposta aos simples e a todos que temiam o poder da Igreja.

Em pleno século XIX, nobres sacerdotes como Montalembert, Lamennais, Lacordaire e outros anelavam pela vivência do conceito Deus e liberdade, sendo alguns depostos das vestes que ostentavam, e tornou-se insuportável o relacionamento entre as academias e as sacristias.

Nesse ínterim de conflitos religiosos e acadêmicos, em que a política de Estado unida ao Clero interferia no destino das criaturas no país, Allan Kardec e a equipe luminosa do Espírito de Verdade já se encontravam em ação, preparando o advento de O Consolador, que logo mais se instalaria na Terra, porque pairava glorioso na Erraticidade e aguardava o momento de manifestar-se.

Lançados O Livro dos Espíritos, em 1857 e O Livro dos Médiuns, em 1861, vitoriosamente, uma nova ciência e uma filosofia otimista – o Espiritismo – passaram a iluminar as consciências e predispor a cultura vigente para o momento em que seria publicado O Evangelho Segundo o Espiritismo, libertado dos grilhões escravagistas dos teólogos insanos, distantes do amor de Jesus.

Em abril de 1864, Allan Kardec, sob a inspiração do Excelso Mestre, trouxe a lume a Sua superior moral, ao publicar a obra que iria consolar e esclarecer a Humanidade com as dúlcidas lições da ética e de valores elevados, todas exaradas nos sublimes sentimentos do amor, da caridade, da misericórdia, da compaixão…

Ao dedicar-se, exclusivamente, ao estudo e significado dos ensinamentos morais das palavras do Senhor, por serem de todos os tempos, o mestre de Lyon teve o cuidado de arrancar o joio que penetrara no trigal e transformou as espigas abundantes em celeiros de luz, que atravessaram os decênios como farol inapagável e apontam o rumo do porto seguro da plenitude para todos.

A noite densa e dominante passou a salpicar-se de diamantes estelares e nunca mais haverá escuridão.

As vozes dos Céus começaram a cantar as sinfonias incomparáveis enunciadas nos gloriosos dias em que Ele passeou pelas terras palestinas, quando encerrou o Seu ciclo de amor, não na cruz de vergonha, como se pensava, mas nas paisagens iridescentes da ressurreição triunfante.

Filósofos, missionários, cientistas, luminares da cultura, da arte, da abnegação, lídimos representantes do Sermão da montanha compuseram a partitura musical da Mensagem e Jesus retornou à Terra conforme prometera.

A partir desse novo momento, toda dor passou a encontrar lenitivo, toda aflição tem recebido conforto, e qualquer tipo de alucinação e  ódio tem disposto de diretriz de segurança para a vivência da saúde e da paz.

As vozes siderais, ao exaltarem o triunfo da vida sobre a morte, glorificam Deus e Sublime Guia, preparam o Reino dos Céus nos corações terrestres, ansiosos pela conquista da plenitude.

Instaurada a Era que prenuncia o mundo de regeneração, quando o sofrimento cederá lugar à alegria de viver e o desespero facultará o encantamento da irrestrita confiança na Vida, as criaturas passam a experimentar novos estímulos para o prosseguimento da jornada, embora ainda enfrentem os últimos vestígios de inquietação que irão desaparecer por definitivo.

Em face do novo e ditoso acontecimento, saudamos, emocionados, o Sesquicentenário da publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que permanece como um luzeiro na penedia ante o mar proceloso e aponta o porto de segurança para todos os viajores da Terra.

Nestes tumultuosos dias da sociedade, glória a Allan Kardec e à sua obra, que proporcionam as vindouras alegrias do encontro com a harmonia espiritual!

Vianna de Carvalho.
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de

18 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção,

em Salvador, Bahia.