Casa do Cinza

"O amor não cogita de recompensa. É um sentimento que se basta." Dr. Odilon Fernandes


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MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO

Brasileiros e brasileiras. 

Não esmoreçais diante de tantas lutas. Arregaçai vossas mangas, reerguei vossas cabeças e fortalecei vossos pés. Avante! O momento agora é de esperança em busca de dias melhores na Pátria do Cruzeiro, nacao abençoada pelo anjo Ismael a serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Avante meus irmãos! Empunhem as armas da tolerância. Silenciem perante a queda daqueles que não souberam garantir a paz da nação. 

Brasileiros e brasileiras, no momento é preciso que todos mantenham a calma. A tempestade avança com ventos fortes, bravios, assustadores. Não vos assusteis porém, que tendes a consciência tranquila. Procurai acalmar vossos corações. Chegou o momento da derrubada. Cairão pedras sobre pedras. O amontoado de riquezas ilícitas, adquiriras pela ganância do poder de homens ingratos para com a pátria onde nasceram, irão ser soterradas. Espíritos totalmente enfermos da alma, onde a fé e a esperança que acalenta vossos corações jamais pousou. O Brasil sairá de suas mãos. A liberdade dará o seu grito para um novo ciclo. Um novo mundo é questão de dias. Um amanhecer de novas esperanças se aproxima. Jesus, junto ao inestimável amigo Ismael e tantos outros com corações nimbados de luz se aproxima, iluminando o país verde amarelo, dando início a uma nova era, era de esperança para todos. Estamos às portas da ordem e do progresso. Novas lutas, novos projetos para um Brasil melhor; melhor na saúde, na Educação, na alegria de um povo, na conquista da paz. Brasil melhor para receber Espíritos designados a construir e a semear a semente do Evangelho redivivo. 

Irmãos! É hora de fortalecer os sentimentos de bondade e generosidade para com o próximo. Avante! Requisitamos os jovens cheios de sonhos!

Jovens idealizadores, não deixem a neblina da ignorância tolher seus sonhos, suas esperanças. Jesus, nosso Mestre, sempre esteve lado a lado daqueles que querem se redimir, construir um país onde todos viverão com dignidade e cabeça erguida no cumprimento das leis que regem esse país de esperança; onde o verde será mais verde, o amarelo mais amarelo e o azul será como o azul da abóboda celeste. 

Brasil, tu és e serás no futuro a Pátria do Evangelho e o Coração do Mundo. 

Avante todos vós, filhos de minh’alma!

Avancemos juntos, de mãos coladas no peito, ao encontro do Mestre que nos espera ansiosamente de braços abertos há quase três mil anos, espargindo o perfume da esperança. Convidamos a todos, uma vez mais, a nos unirmos num preito de esperança. 

Avante brasileiros e brasileiras que amam, que respeitam! Que se curvem diante dessa bandeira simbolizando a democracia. Democracia plena tem que ter ordem e progresso. Sejamos todos unidos. Avancemos juntos numa mesma direção. 

Nova aurora, novo amanhecer, novas esperanças. Avante! 

Sejamos humílimos servidores do Evangelho. 

“Sem ordem não há democracia plena”.

Paz a todos os brasileiros. 

BEZERRA

(Nota: No dia 15/04/2017, durante o Culto do Evangelho no Lar, em minha residência, fui comunicado que o Dr. Bezerra estava transmitindo para a Terra, ao vivo, uma mensagem de otimismo ao povo brasileiro. Conectei-me ao Mundo Maior e pude registrá-la no papel. Raulina Pontes.)


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NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 10

 CAPÍTULO 10

Passados alguns instantes da alocução proferida por Léon Denis, perfumada aragem começou a soprar, balsamizando o ambiente. De onde será que provinha aquele suave perfume que, aos poucos, se intensificava, impregnando-nos o corpo espiritual? Tínhamos a impressão de que, caindo de Esferas Resplandecentes, aquele orvalho celeste, constituído de diminutos flocos luminosos, antecedia o momento em que o espírito Chico Xavier seria conduzido à ignota região da Vida Sem Fim.
Quando o fenômeno a que tento me referir se fez mais evidente, algumas explosões começaram a ocorrer na extensafaixa de luz azulínea que, agora, ia mudando de tonalidade, como se um arco-íris se estivesse materializando diante dos nossos olhos. Gradativamente, cinco entidades foram se fazendo visíveis para nós, tangibilizando-se no pequeno espaço que me parecia reproduzir produzir a abençoada estrebaria em Belém… Os cinco espíritos, que não posso lhes dizer que tenham assumido forma propriamente humana, foram sendo identificados por nós: eram Bezerra de Menezes, Emmanuel, Eurípedes Barsanulfo, Veneranda e Celina, a excelsa mensageira de Maria de Nazaré.
Diante da estupenda visão, todos sentimos ímpetos de nos ajoelharmos; muitos, efetivamente, se ajoelharam, com os olhos banhados de lágrimas. Bezerra de Menezes, Emmanuel e Eurípedes Barsanulfo estavam, por assim dizer, mais humanizados, no entanto Veneranda e, especialmente, Celina nos pareciam dois anjos alados, falenas divinas que se tivessem metamorfoseado apenas para que pudéssemos vê-las… Eu tinha a impressão de estar participando de um sonho que transcendesse a mais fértil imaginação.
Adiantando-se aos demais companheiros, Veneranda, que o tempo todo pairava no ar, começou a orar com sentimento que a palavra não consegue traduzir:
— Senhor da Vida— exorou, sensibilizando-nos profundamente —, aqui estamos para receber, de volta ao nosso convívio, um dos Vossos servidores mais fiéis que, após quase um século de lutas acerbas pela causa do Vosso Evangelho na Terra, regressa ao Grande Lar, com a consciência do dever cumprido. Que as Vossas bênçãos envolvam o espírito naturalmente exaurido, restituindo-lhe as energias que se consumiram de todo por amor do Vosso Nome entre os homens, nossos irmãos! Que do seu extraordinário esforço não se perca, Mestre, uma única gota de suor, das que se misturaram às lágrimas anônimas vertidas por ele no testemunho da Fé. Que o trabalho de sua proficua existência no corpo físico continue a ser prodigiosa sementeira para as gerações do porvir, apontando o Caminho para quantos anseiam por seguir os Vossos passos…
Senhor, os que tão-somente agora, depois de séculos e século de sombras, nos convencemos da Vossa magnanimidade, vos agradecemos por não terdes consentido que o nosso irmão sucumbisse diante das provas e, em nada, se afastasse da trajetória que lhe traçaste no mundo — sabemos que, nos momentos mais dificeis, sem que nós mesmos pudéssemos perceber, a Vossa mão o sustentava para que não tombasse sob o peso da cruz que lhe pusestes aos ombros… Nós vos louvamos por terdes realizado nele a obra consagrada do Vosso amor, que, um dia, redimirá a Humanidade inteira. E que, agora, ainda unidos ao espírito companheiro que soube transformar-se em exemplo de renúncia e de sacrificio, de desprendimento e de abnegação, possamos dar seqüência à tarefa que iniciastes há dois mil anos, da edificação do Reino de Deus sobre a face da Terra!… Que a claridade sublime das Altas Esferas não nos faça ignorar os vales de sombras dos quais procedemos e nos quais acendestes, para sempre, a Vossa Luz… Que não nos seja lícito o descanso, enquanto o orbe planetário, onde tantas vezes expiamos as nossas faltas, se transfigure em estrela de real grandeza, a fulgir na glória dos mundos redimidos. Abençoai, Senhor, os nossos propósitos que são os Vossos e que, hoje e sempre, possamos exaltar- Vos o Nome através de nossas vidas!…
Terminando de orar, Veneranda e Celína se aproximaram de Cidália, que continuava a aconchegar em seu materno coração o espírito que foi nosso Chico, o qual, de quando a quando, estampava cândido sorriso, como se fosse uma criança participando de um sonho bom do qual jamais ousasse acordar.
O silêncio reinante era de tal ordem, que, aos nossos ouvidos, a voz inarticulada da Natureza nos parecia uma sinfonia; de minha parte, confesso-lhes que eu nunca tinha ouvido a música dos astros e nem podia imaginar que o próprio silêncio tivesse voz.
A faixa de luz azulínea que se transformara num arco-íris ainda se mostrava mais viva, e todos permanecíamos na expectativa do que não sabíamos pudesse acontecer.
Direcionando os sentidos, quis ver, naquela hora, como os preparativos para o féretro estavam desenvolvendo-se no Plano Físico e, justamente, quando começou a ser entoada a canção “Nossa Senhora” e os nossos irmãos começaram a movimentar-se, dando início ao cortejo, uma Luz indescritível, descendo por aquele leque iluminado que ligava a Terra ao Infinito — a faixa de luz que ali se instalara logo após ter sido armado o velório no “Grupo Espírita da Prece” —, uma Luz que, para mim, era muito superior à luz do próprio Sol e que me acionava a memória para a lembrança da visão que Paulo teve do Cristo, às portas de Damasco, repetiu com indefinível ternura:
— “Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
Aquela Extraordinária Visão, que sequer povoava os meus sonhos mais remotos de espírito devedor, estendeu dois braços humanos reluzentes e, quando notei que o Chico em espírito se transferia dos braços de Cidália para aqueles Braços que o atraíam, digo-lhes que, desde quando fui beneficiado com o laurel da razão, não tenho recordação de jamais ter chorado tanto…
Aquela Luz, que se humanizava parcialmente para que pudéssemos vê-la, estreitou Chico Xavier ao peito e depositou-lhe um ósculo santo na fronte e, em seguida, partiu, levando-o consigo, despedindo-se com inesquecível sorriso dos que continuavam presos ao abismo, sentenciados pelo tribunal da consciência culpada.
Foi Odilon que, depois de muito tempo, conseguiu falar, comentando conosco:
— Eu sempre que lia as páginas do Velho Testamento, ficava intrigado e colocava em questão a narrativa de que o profeta Elias fora conduzido ao céu por “um carro de fogo”… Agora sei que não se tratava de força de expressão ou algo semelhante.
Os nossos Lilito Chaves e Paulino Garcia estavam de rostos voltados para o chão e tivemos que levantálos, tentando fazer com que parassem de chorar convulsivamente.
Um grande vazio se fez após e, gradativamente, a faixa de luz foi se recolhendo de baixo para cima, à medida em que o cortejo celestial se retirava.
Quando veríamos Chico Xavier novamente? — era a pergunta que nos fazíamos, através dos olhares que permutávamos. Para onde ele teria sido conduzido?
No entanto, se ignorávamos as respostas às indagações que formulávamos, não pairava entre nós qualquer dúvida de que o espírito glorificado se fizera buscar pelo próprio Cristo.
E, tão desolados quanto os nossos irmãos encarnados haviam ficado, começamos a tentar esboçar algum diálogo.