Estudo, Inácio Ferreira, Uncategorized

NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 12

— Eu estou bem! E o senhor, como está? — retrucou o fundador da “Casa Transitória”, benemérita instituição existente na capital de São Paulo.

— Você não perde o hábito de me tratar de senhor, não é mesmo? — retrucou Batuíra. Olhe que eu estou mais rejuvenescido do que você…

Sorrimos descontraidamente e Gonçalves explicou que, na companhia dos irmãos Weaker Batista e Clóvis Tavares, também estava participando da recepção que o Mundo Espiritual oferecia ao médium Chico Xavier.

— Ele e o senhor, desculpe‐me — acrescentou —, ele e você nos auxiliaram muito com as orientações de que necessitávamos na “Transitória”; o Chico sempre foi um grande amigo e benfeitor… Desde Pedro Leopoldo, tivemos a alegria de acompanhar a sua trajetória mediúnica de verdadeiro missionário do Cristo.

— De fato, agora podemos falar a respeito — disse Batuíra, cujos traços biográficos não me eram de todo desconhecidos na luta que sustentara por amor ao Ideal.

Entrementes, se aproximaram para participar do diálogo o Weaker e o Clóvis, que, até então, se haviam mantido a certa distância, atendendo a três Espíritos de sofrida aparência que os interpelara.

— Weaker, estamos nos referindo à grandeza de espírito do nosso Chico… Você que conviveu mais de perto com ele durante tantos anos, poderá se expressar com maior conhecimento de causa, não é? — falou Gonçalves ao companheiro que eu igualmente conhecera à frente das atividades do “Grupo Espírita da Prece”.

Franzindo o cenho, Weaker comentou com certa tristeza no semblante:

—‐ Infelizmente, qual aconteceu a muitos dos que puderam conviver com ele, eu também não consegui atinar com o seu real valor, senão quando deixei o corpo, onde os equívocos se nos fazem tão frequentes; não estou querendo me justificar, mas, embora tenha aproveitado muito na convivência diária com Chico, a verdade é que eu poderia ter assimilado mais, caso o meu espírito, em determinadas situações, não se tivesse mostrado tão rebelde…

— Ora, Weaker — aparteou Clóvis Tavares, que, na cidade de Campos, Rio de Janeiro, fundara, sob a inspiração do médium, a “Escola Jesus Cristo” —, não se recrimine… A verdade é que a luz intensa costuma deslumbrar os nossos olhos acostumados à sombra. Como é do seu conhecimento, estive com o Chico diversas vezes e, durante longos anos, nos correspondemos.

40 – Carlos A. Baccelli (pelo Espírito Inácio Ferreira)

Estive em Pedro Leopoldo, Uberaba, e ele esteve conosco em Campos, inclusive descansando por uns dias em nossa casa de praia em Atafona; pois bem, igualmente confesso que, por maior fosse a minha admiração e o meu respeito a ele, eu não sabia que estava lidando com um Espírito de tal envergadura…

— Permitam‐me a intromissão — falei, tomando a defesa do amigo que sempre me tratara com tanta gentileza, nas poucas vezes em que visitara Chico Xavier na “Comunhão Espírita‐Cristã” —; eu também me penitencio, Weaker, pois, para mim, Chico não passava de um grande médium, nada mais do que isto… No entanto, se algum de nós, ainda na carne, tivesse identificado a sua estatura espiritual ou tido a convicção plena de que se tratava do próprio Codificador reencarnado, é possível que extrapolássemos em nosso relacionamento com ele, criando‐lhe sérios embaraços; bastem já os obstáculos que, involuntariamente, lhe causamos com as nossas descabidas exigências ou pontos de vista personalistas…

Concordando comigo, a irmã Yvonne Pereira observou:

— Para os próprios apóstolos, o Cristo só foi compreendido em sua grandeza divina após o episódio de sua ressurreição; até então, Judas o traíra e Simão Pedro o negara… Se não se tivesse confirmado a vitória do Mestre contra a morte, constatada por Maria de Magdala, é possível que os onze tivessem recuado da tarefa de levar adiante a Boa Nova…

— Bem lembrado, Yvonne — enfatizou Carmelita. E não olvidemos que, para incentivá‐ los, o Senhor permaneceu durante quarenta dias concedendo‐lhes aparições e proporcionando advertências de viva voz, tendo‐se, inclusive, mostrado redivivo, na Galileia, a quinhentos discípulos de uma só vez… O Grande Paulo de Tarso não se teria convertido ao Cristianismo, se o Senhor não lhe tivesse aparecido de forma insofismável, às portas de Damasco, orientando‐o em seus passos iniciais.

— Meus irmãos — confortou‐nos Odilon —, a misericórdia de Deus e o nosso querido Chico saberão relevar as nossas deficiências; o importante é que continuemos cumprindo com os deveres que nos são comuns, dignificando o esforço daqueles que nos inspiram a ser melhores do que somos. A existência física e os exemplos do nosso irmão recém‐desencarnado, nos servirão de material de reflexão para muito tempo; o trabalho que se nos desdobra à frente é gigantesco e não podemos perder tempo com lamentações…

— Estou de acordo, meu amigo — interveio Batuíra —; se algo fizemos sobre a Terra, muito ainda nos compete realizar e, conforme asseverou Léon Denis, na exortação que nos dirigiu ainda há pouco, o futuro nos aguarda e não nos furtaremos à bênção de um novo recomeço. Se não somos o que gostaríamos de ser, pensemos nos milhões de companheiros que, nos Dois Planos da Vida, ignoram completamente as mais rudimentares lições com que a Doutrina já nos favorece. Estamos a queixar‐nos da luz diminuta que nos clareia o caminho, a esquecermos, porém, que ela é do tamanho exato das luzes do nosso próprio entendimento. Se aspiramos a seguir Chico Xavier em sua ascensão aos Páramos Superiores, tratemos de fazer mais e melhor…

— Ora, Batuíra! — pontificou Gonçalves ao estimado Mentor. — Este, sem dúvida, não é o seu caso…

— Por que não? — replicou o lúcido seareiro.

— Acaso terei abdicado da minha condição humana? E você, Cairbar, que nada diz? Em

que estará a pensar?…

— Estou pensando que quase todos nós estivemos próximos do que almejamos, no entanto faltou‐nos coragem e maior desprendimento para o passo decisivo… Não nos doamos por inteiro ao Senhor; algo, que não sei definir, ainda nos prendia ao “eu”… Com certeza, não soubemos responder com ações à célebre indagação do Mestre endereçada aos seus discípulos de todos os tempos: “Que fazeis de especial?”

Meditando por momentos, acentuou:

— Pessoalmente, o que mais me valeu deste Outro Lado foi ter‐me dedicado aos mais pobres; nada, coisa alguma se compara ao nosso envolvimento pessoal na prática do bem… Escrevi muito, publiquei diversos livros, proferi conferências, fundei instituições, enfim, tenho consciência de que cooperei, numa época difícil, com a expansão da Doutrina, mas, em nível de consciência, só me sinto tranquilo quando me ponho a pensar nas lágrimas que enxuguei, nas dores que amenizei e no amor que distribui com os meus semelhantes… Pugnar pela Fé Espírita no mundo é algo que, de certa forma, ainda nos envaidece, porque nos coloca no palanque da evidência e, infelizmente, neste sentido muitos se equivocam, abdicando do trabalho que devem realizar no âmago de si mesmos; a ocupação com a difusão dos nossos princípios, não nos dispensa do esforço intransferível da própria renovação… A pergunta de Jesus aos companheiros deve também nos soar aos ouvidos com o seguinte significado: “Que fazeis de especial em vós para vos tornardes especiais para os outros?” Então, de minha parte, posso dizer‐lhes que nada fiz de especial…

Estudo, Inácio Ferreira

NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 11

CAPÍTULO 11
Dos muitos amigos e companheiros de ideal presentes à recepção que o Mundo Espiritual organizou para Chico Xavier, este espírito cuja grandeza e valor nem nós, os desenfaixados do corpo denso, saberíamos avaliar, nos deparamos com Sebastião Carmelita, a quem já nos referimos, que se fazia acompanhar de Yvonne Pereira, a inesquecível medianeira de “Memórias de um Suicida”; Cairbar Schutel, o Apóstolo de Matão; e Batuíra, o grande baluarte na Doutrina em São Paulo.

Que os nossos irmãos que, porventura, estejam correndo os olhos por estas linhas, me perdoem a omissão involuntária de muitos nomes, pois impossível seria fornecer-lhes uma relação mais completa daqueles expoentes do Espiritismo que vieram saudar a Chico no limiar da Vida Nova.

Entrando a conversar com os referidos confrades, Carmelita deu início ao diálogo, dirigindo-me a palavra:

– Meu caro Inácio, estou deveras impressionado… Eu não podia imaginar a importância da tarefa confiada ao nosso Chico. Tendo tido a oportunidade de privar com ele em algumas ocasiões, eu o admirava pela generosidade de coração e pela autenticidade de suas faculdades mediúnicas, mas… o seu espírito transcendia a tudo isto; confesso-lhe que não atinei com a sua elevação espiritual…

– Os grandes espíritos, Carmelita — aparteou Odilon —, sabem como se camuflar na carne; se, sem se expor tanto, ele suportou ferrenhas perseguições, pensemos no que seria, caso as trevas tivessem “acordado” antes… Não nos esqueçamos de que, nos últimos três anos, os espíritos que se opõem ao Evangelho tentaram comprometê-lo de todas as formas, mas, então, ele já estava a cavaleiro da trama em que procuraram enredá-lo.

— Você tem razão, Odilon — disse Yvonne Pereira.

— Se, em meu diminuto trabalho na condição de médium, me submeti a terríveis assédios e, várias vezes, cheguei a considerar a possibilidade de me afastar, meditemos no que o Chico terá enfrentado para não esmorecer e, é bom que se diga, de desencarnados e encarnados, de não-espíritas e, principalmente, de espíritas. Infelizmente, sempre fomos os mais exigentes… com os outros e por demais condescendentes conosco. O personalismo talvez seja a maior característica de nossa imperfeição; supomos sermos o que efetivamente não somos e nos conferimos, na Doutrina, uma importância que não temos…

— Yvonne — falou o venerável Batuíra —, combati, em mim, essa tendência personalista a vida inteira… Não é fácil para o espírita administrar as próprias mazelas. Estamos imersos nas sombras por muito tempo e, de repente, a luz: ficamos desnorteados, sem saber o que fazer de nós mesmos e nos tornamos presas indefesas dos espíritos que permaneçam à espreita; não fosse a proteção da Misericórdia Divina, cairíamos freqüentemente… De minha parte, afirmo-lhes que procuro me esquecer no trabalho; envolvia-me com os meus doentes, escrevia os meus artigos, orava diariamente, enfim, procurava dar ocupação às mãos e à mente, pois, caso contrário… As vezes, com o propósito de me defender, chegava a ser ríspido com quem me elogiava:

aquelas palavras melífluas soavam aos meus ouvidos como uma cantilena satânica… Felizmente, pude agüentar-me de pé e não me precipitei no abismo de maiores desilusões; não fiz o que deveria ter feito, mas, pelo menos, não cruzei os braços na ociosidade…

— Compreendo o que o nosso Batuíra quer dizer — asseverou Cairbar. Eu também travei lutas sem tréguas… Em muitas ocasiões, os espíritos obsessores me perturbavam tanto, que quase chegava a enlouquecer; eu os ouvia claramente com as propostas escusas que me dirigiam… Não me poupavam nem quando estava em franca atividade doutrinária. Só experimentava certo distanciamento deles quando estava cuidando dos doentes que me buscavam o concurso fraternal ou, então, na condição de enfermo de alma, eu tomava a iniciativa de procurá-los…

— O que o nosso Chico não terá agüentado, não é mesmo?… — indaguei, refletindo nos problemas que igualmente faceara à frente do Sanatório. Por muito menos que ele, os padres planejavam fazer churrasco de mim; mentiras e calúnias eram todos os dias; diziam que eu estava enriquecendo à custa dos dementes e que, a noite, ia para o hospital promover orgias com os meus pacientes… Eu, pelo menos, ainda os mandava a todos para o Inferno e chegava mesmo a acreditar na existência dele, porque, afinal de contas, tinha que existir um lugar chamado Inferno para receber tanta gente sem escrúpulos… Agora, coitado, o nosso Chico nem desabafar podia!…

— Coitado de mim, Dr. Inácio, assim como do senhor e do nosso Paulino! (perdoem-me incluí-los comigo nesta lista), que, embora fora do corpo, continuamos a nos arrastar como se nele ainda estivéssemos —falou Lilito Chaves, já um tanto refeito da emoção de instantes atrás. — Viu como o Chico subiu e quem veio buscá-lo?… Eu pensei que tivera feito muita coisa, mas a verdade é que nada fiz. Se não fosse o conhecimento da Doutrina, teria feito menos ainda, mas…

— A fórmula — tomou novamente Yvonne a palavra — está em sabermos conciliar o cultivo de nós mesmos, que nos requisita momentos de introspecção, e o trabalho em beneficio dos outros… Uma centração e uma descentração, como nos ensinava Teilhard de Chardin. Não podemos nos isolar e não podemos deixar de nos recolher à nossa própria intimidade; carecemos de imitar o movimento das ondas do mar, que se retraem e, de novo, se lançam à praia, como se estivessem num eterno movimento de expansão.

– Resumindo — interveio Carmelita com liberdade é pegar na charrua e, incansavelmente, lavrar e semear… Em se tratando de caridade, é preferível fazer sem pensar; quem se procura muito em si mesmo acaba se perdendo… Vejamos o exemplo de Chico, que nunca se afastou do convívio com o povo; creio que se ele tivesse, mediunicamente, trabalhado mais recluso, talvez as suas obras tivessem ganhado em profundidade, mas, com certeza, teriam perdido em luz espiritual.

Os livros psicografados por ele tão impregnados estão de luz, que bastará a qualquer um tê-los nas mãos para que comece a se iluminar; de cada página emana uma resplendência divina que esclarece e emociona…

— Ao contrário das obras tão humanizadas de muitos outros medianeiros — asseverou Lilito, pesaroso.

— Mas cada qual faz o que pode — retrucou Odilon.

— Não podemos exigir que todos os médiuns se nívelem a Chico Xavier; seria um contra-senso… Em um pomar, cada árvore frutífera é fadada a produzir de acordo com a sua capacidade: entre frutos da mesma espécie, iremos encontrar diferenças de qualidade… Cabe, a quem vai à feira, escolher o que adquire para lhe atender a fome. Não podemos, Lilito, exigir que os nossos irmãos médiuns se trajem, do ponto de vista moral, de acordo com o figurino que talhamos para eles; não raro, sem perceber, estabelecemos comparações e chegamos a ser cruéis com aqueles medianeiros que não são candidatos a missionários mas, sim, à quitação dos próprios débitos.

A conversa seguia interessante, mas as imediações do velório começavam a se esvaziar; quase todas as luzes que se haviam naturalmente acendido já se haviam apagado e, no ar, permanecia apenas doce fragrância que nos inebriava… Estávamos preparando-nos para retornar às nossas atividades, quando Batuíra, num largo sorriso, saudou o companheiro que se aproximava:

– José Gonçalves Pereira!… Como vai você, meu irmão? Onde é que estava, que eu não pude encontrá-lo antes?…

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Mensagem do ESE – Evangelho Segundo o espiritismo 1

Missão dos espíritas
4. Não escutais já o ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo e abismar no nada o conjunto das iniqüidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que haveis posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.
Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. O verdadeiros adeptos do Espiritismo!… sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!
Ó todos vós, homens de boa-fé, conscientes da vossa inferioridade em face dos mundos disseminados pelo infinito!… lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra. Ide, Deus vos guia! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.
Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.
Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz.
Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.
A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza. Parti, então, cheios de coragem, para removerdes essa montanha de iniqüidades que as futuras gerações só deverão conhecer como lenda, do mesmo modo que vós, que só muito imperfeitamente conheceis os tempos que antecederam a civilização pagã.
Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.
Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé. Ide; estes receberão, com hinos de gratidão e louvores a Deus, a santa consolação que lhes levareis, e baixarão a fronte, rendendo-lhe graças pelas aflições que a Terra lhes destina.
Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!
Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade.
Pergunta. – Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho?
Resposta. – Reconhecê-los-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles ensinarão e praticarão. Reconhecê-los-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-los-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-los-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de Sua lei; os que seguem Sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição. – Erasto, anjo da guarda do médium. (Paris, 1863.) (1)
(1) Na terceira edição francesa esta mensagem saiu incompleta e sem assinatura. Completamo-la em confronto com a 1ª edição do original. – A Editora da FEB, em 1948..

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A ARQUITETURA DO PLANO ESPIRITUAL

A ARQUITETURA DO PLANO ESPIRITUAL
 

Registra a descrição do Apóstolo João que pouco antes de sua prisão, Jesus num longo entendimento com seus seguidores, afirmou, entre outras coisas, haver “muitas moradas na Casa de Nosso Pai”. Embora não sendo explícita, a afirmação do Mestre, permite admitir-se a visão dos Celtas, povo de origem indo-europeia que desde dois mil anos antes afirmava dividir-se o Mundo Espiritual em três círculos superpostos:Anunf – círculo infernal; Abred – círculo das migrações / sucessivas reencarnações e Gwinvid – círculo divino / bem-aventurados. Entre os séculos 13 e 14, o florentino Dante Alighieri, perturbado pela morte de uma jovem chamadaBeatriz , teria em estado alterado de consciência visitado regiões extra-físicas ajustadas aos conceitos da religião que seguia descritas como INFERNO (onde depara-se com pecadores que são castigados em ordem progressiva dos pecados cometidos); PURGATÓRIO (local de purificação, pessoas pagam penitência por dívidas morais, cujos saldos são, no entanto, passíveis de liquidação / quitação) e, por fim,  o PARAÍSO (onde repousam pessoas que fizeram a devida penitência de seus pecados; governantes justos; estudiosos de teologia e praticantes do Bem). Segundo ele, cada Esfera divide-se em 9 círculos, perfazendo 27 níveis, obedecendo a uma ordem progressiva conforme o estado de cada habitante dela. No século 19, surge O LIVRO DOS ESPÍRITOS organizado por Allan Kardec que diz, por exemplo, na questão 36 que nada é vazio; o que te parece vazio está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e instrumentos e, na 85, ‘que na ordem das coisas, o MUNDO ESPIRITUAL, preexiste e sobrevive a tudo”. Kardec falaria ainda dos diferentes estados do Espírito na chamada Erraticidade ou Plano Espiritual. Em 1865, o Espírito do médico Franz Anton Mesmer escreveria em mensagem publicada num dos números da REVISTA ESPÍRITA: -“O Mundo dos Invisíveis é como o vosso. Em vez de ser material e grosseiro, é fluídico, etéreo, da natureza do perispirito, que é o verdadeiro corpo do Espírito, tirado desses meios moleculares, como o vosso se forma de coisas mais palpáveis, tangíveis, materiais. O Mundo dos Espíritos não é um reflexo do vosso; o vosso é que é uma imagem grosseira e muito imperfeita do reino de Além-Túmulo”. No século 20, através do médium brasileiro Chico Xavier, o Espírito Maria João de Deus em seu livro CARTAS DE UMA MORTA (1935-1936) explicou que “a Terra é o centro, isto é, a sede de grande número de Esferas Espirituais que a rodeiam de maneira concêntrica, não podendo precisar o número dessas Esferas, porque elas se alongam até um limite que sua compreensão, por enquanto, não pode alcançar”. Mais a frente, o Espírito identificado como André Luiz amplaria essa visão em suas obras dizendo que as Esferas são apresentadas à semelhança de globos que envolvem uns aos outros, os maiores englobando os menores ─ como se fossem bolas de pequenas proporções dentro de outras mais amplas, se interpenetrando segundo uma linha ascendente de evolução que tem origem no interior (ponto de menor evolução) e se projeta para a periferia (ponto de maior evolução). Cada uma dessas divisões compreende outras, conforme asseguram os Espíritos. Tentando traçar um perfil das principais diz:

PRIMEIRA ESFERA – Comporta o Umbral “Grosso” (Núcleo Interno ou Abismo), mais materializado, de regiões purgatoriais mais dolorosas e de cujas organizações comunitárias, conquanto estejam tão próximas, temos poucas notícias.

SEGUNDA ESFERA – Abriga o Umbral mais ameno (Núcleo Externo ou Trevas), onde os Espíritos do Bem localizam, com mais amplitude, sua assistência. Referida por André Luiz como Trevas ou regiões subcrostais. TERCEIRA ESFERA – Nossa morada provisória, ou seja, a Crosta Terrestre.

QUARTA ESFERA – Começa na Crosta, constituindo-se e em zona obscura destinada ao esgotamento dos resíduos mentais. Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham com as criaturas terrenas as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. 

QUINTA ESFERA – Habitada por Espíritos que têm como escopo unicamente o Bem. As Artes e as Ciências, após várias existências sacrificiais na Crosta. 

SEXTA ESFERA –AMOR FRATERNO UNIVERSAL. Região das mais elevadas da Zona Espiritual da Terra, muito acima de nossas noções de forma, em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação de vida, habitada por comunidades redimidas dos Planos Espirituais. 

SÉTIMA ESFERA – Diretrizes do Planeta. Numa de suas inspiradas analogias, o médium Chico Xavier afirmou que se quisermos ter uma ideia próxima do real, basta ‘cortarmos ao meio uma cebola, as camadas sobrepostas e interpenetradas que a compõem’, darão uma ideia da estruturação espacial do Mundo Espiritual.

Por Balbino Amaral

Estudo, Inácio Ferreira

NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 8

​CAPÍTULO 8

Inúmeras caravanas e representações continuavam chegando, formando extensas filas, que se postavam paralelas às filas organizadas pelos nossos irmãos encarnados, a comparecerem ao velório para render a Chico Xavier merecidas homenagens. Dezenas e dezenas de jovens, coordenados por Augusto César e Jair Presente, dentre outros, formavam grupos especiais que vinham recebê-lo no limiar da Nova Vida, gratos por ter sido ele o seu instrumento de consolo aos familiares na Terra, quando se viram compelidos à desencarnação…

A tarefa de Chico Xavier — explicou Odilon, emocionado — não tem fronteiras; raras vezes, a Espiritualidade conseguiu tamanho êxito no campo do intercâmbio mediúnico… No entanto a força que o sustentava nas dificuldades vinha de Cima, pois, caso contrário, teria sucumbido às pressões daqueles que, encarnados e desencarnados, se opõem ao Evangelho. Chico, por assim dizer, ocultou-se espiritualmente em um corpo franzino e deu início ao seu trabalho, sem que praticamente ninguém lhe desse crédito; quando as trevas o perceberam, cite já havia atravessado a faixa dos vinte de idade e em franco labor, tendo pronto o “Parnaso de Além-Túmulo”, a obra inicial de sua proficua e excelente atividade psicográfica…

— Dr. Odilon — adiantou-se Paulino —, perdoe-me talvez a inoportunidade da pergunta: o senhor crê que Chico Xavier seja a reencarnação de Allan Kardec?

— Não somente creio, Paulino, como tenho elementos para afirmar que ele o é

— respondeu o Mentor, corajosamente. — Os que se dedicarem a estudar o assunto, compulsando, principalmente, a correspondência particular de um e de outro perceberão tratar-se do mesmo espírito. É uma questão que, infelizmente, ainda há de suscitar muita polêmica entre os espíritas que mourejam na carne, mas, para determinado segmento espiritual, no qual eu me incluo, isto é ponto pacifico. São notáveis as “coincidências” ou os pontos de contato entre as duas personalidades, inclusive na semelhança física…

— Alegam alguns, porém, que o Codificador era dono de uma personalidade

austera, ativa, quando a de nosso Chico Xavier é de característica branda, passiva…

— Os que assim se referem não tiveram, evidentemente, oportunidade de privar com o primeiro nem com o segundo — ambos eram austeros e brandos, quando a brandura ou a austeridade se faziam necessárias. É claro que a tarefa que Chico Xavíer desdobrou, no começo do século passado, se deu em condições um tanto diversas da que cumpriu com a identidade de Allan Kardec; o meio não deixa de exercer certa influência sobre a individualidade, constrangendo-a a adaptar-se às novas condições — uma rosa no Brasil será uma rosa, por exemplo, no Japão, no entanto as diferenças climáticas são passíveis de alterar-lhe as características, tanto no que se refere à coloração quanto ao perfume… O espírito é sempre o mesmo, de uma vida para outra, todavia não há, para ele, como livrar-se totalmente da carga genética que o transfigura, mas não desfigura…

Aparteando, o nosso Lilito Chaves considerou:

— Você tem razão, Odilon; às vezes, na condição de espíritas, esperávamos de Chico Xavier atitudes de maior pulso…

O companheiro sorriu e respondeu:

— Lilito, entendo o alcance de sua colocação, mas, convenhamos, se o nosso Chico tivesse sido mais direto em determinadas ocasiões ou adotado uma postura mais enérgica, mormente com aqueles que procuravam com ele uma convivência mais estreita, agora, ao invés de admirá-lo como vencedor, estaríamos a lamentá-lo; o que o fez grande foi justamente a sua capacidade de tolerar, de caminhar a segunda milha a que o Senhor nos conclama, que nós não estamos dispostos a caminhar com os amigos e, muito menos, com os nossos desafetos. Kardec, se era firme na defesa da Doutrina através de seus escritos e pronunciamentos, no trato pessoal era doce e afável, tendo com Mme. Gaby, a esposa, um relacionamento que ia além dos limites do casamento, conforme ainda se concebe em nossa sociedade — mais que marido e mulher, os dois eram qual irmãos e, sendo mais velha do que ele nove anos, ela sentia por Rivail o amor que uma mãe sente pelo filho; antes que Allan Kardec fosse chamado a encetar a obra da Codificação, o casal havia renunciado a qualquer tipo de convivência mais íntima na esfera sexual, para devotar-se aos valores do espírito, e, tanto é assim, que ambos não geraram herdeiros diretos, porqüanto a vontade do Senhor lhes reservara mais alta destinação. Os filhos de Allan Kardec são os filhos da Fé Raciocinada, que se multiplicam na Família Humana…

Neste ínterim, aproximando-se de nós a querida Antusa, médium de cura que cumprira de maneira exemplar a sua tarefa, após nos termos carinhosamente

abraçado, Odilon solicitou que a respeitável irmã opinasse sobre o assunto que

nos ocupava a atenção. Sim, Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec — disse convicta. Eu sempre o soube, mas, dentro da prova da mudez que me assinalava os dias, nunca pude me expressar com clareza; não polemizo com os confrades valorosos que pensam diferente, no entanto, no meu caso, possuidora, na Terra, da mediunidade de clarividência, várias vezes pude constatar a autenticidade do fato: à minha retina espiritual, Chico se transfigurava e, em seu lugar, surgia a simpática figura do Codificador; também, muitas vezes, em estado de desdobramento, nos instantes em que me era possível deixar o corpo e visitá-lo, eu o encontrava na personalidade marcante de Allan Kardec… A camuflagem espiritual era quase perfeita. É inegável que a obra de um é o complemento da outra: a mesma linha de pensamento, a mesma terminologia, a mesma luz…

– É — atrevi-me a considerar, por minha vez —, com a invasão da França, quando da Segunda Guerra, e as mudanças sociais a que o país, posteriormente, se submeteu, a árvore simbólica do Cristianismo Restaurado consolidou seu transplante no Brasil; seria natural que o pomicultor a tivesse acompanhado…

Digo-lhes que, nos meus tempos de Sanatório, até os obsessores sabiam que Chico era a reencarnação de Allan Kardec; inclusive, um grande amigo nosso, aliás, o único amigo padre que tive na vida, Sebastião Carmelita, sabia ser este mesmo, por revelação mediúnica que o Chico lhe fizera, o Bispo inquisidor que ordenara a incineração dos livros de Allan Kardec, em praça pública, na cidade de Barcelona. Certa feita, visitando-nos no hospital psiquiátrico sob a nossa direção,

Chico confrontou-se com o espírito Tomás de Torquemada, episódio que tive oportunidade de narrar, acanhadamente, em meu livro “Sob as Cinzas do Tempo”… Lembrando-me de outros testemunhos, após pequena pausa, acrescentei:

— A Modesta, que incorporava o espírito Gabriel Delanne e, por vezes, nos ensejava ouvir a palavra de Léon Denis, não escondia a convicção de que o Codificador estava reencarnado e convivendo conosco em Uberaba; Gabriel Delanne, por intermédio de sua faculdade falante, disse-nos com clareza, logo após a mudança de Chico de Pedro Leopoldo para Uberaba, que Allan Kardec se transferira de domicílio e que, por este motivo, eles estavam se transferindo também… É evidente que, quando obtínhamos um comunicado desta natureza, os espíritos nos solicitavam o máximo de sigilo e, por este motivo, não tornávamos pública a revelação; além do mais, não tínhamos provas cabais para oferecer aos Tomés do Espiritismo, os que, negando-se a enxergar com os olhos da razão, querem ver com os olhos físicos o que depois pedem para tocar com as mãos…

Estudo

Viagem astral

​VIAGEM ASTRAL: UMA EMANCIPAÇÃO DA ALMA

 

A emancipação da alma é a capacidade que todo ser humano tem de projetar a sua consciência para fora do corpo físico. Quase todas as noites nos projetamos, mas o cérebro apresenta dificuldades para registrar lembranças de eventos de quando a consciência está fora do corpo. Por isso, confundimos certas viagens astrais com sonhos.
Essa experiência tem diversos nomes dependendo do segmento doutrinário, como: Viagem Astral (Esoterismo); Projeção Astral (Teosofia); Experiência Fora do Corpo (Parapsicologia); Viagem da Alma (Eckancar); Projeção do Corpo Psíquico ou Emocional (Rosa Cruz); Projeção da Consciência (Projeciologia); e para o Espiritismo Desdobramento, Desprendimento Espiritual ou Emancipação da Alma.
 

Vamos chamar os espíritos que passam por essa experiência de projetores. Há projetores que só se projetam próximos ao seu corpo físico, dentro do ambiente que está dormindo, sem jamais se projetar para lugares distantes, já outros pode ir para lugares distantes, sendo conhecidos ou desconhecidos. E muitos sonhos de vôo e de queda estão relacionados diretamente com a movimentação da alma durante a projeção da consciência. Vejamos os tipos de emancipação:
Emancipação da alma involuntária

                Neste tipo de emancipação a pessoa sai do corpo sem querer e não entende como isso acontece. Em alguns casos a emancipação ocorre antes mesmo da pessoa adormecer, mas, em geral, é quando a pessoa se deita e adormece normalmente, e “desperta” flutuando fora do seu corpo físico. Na maioria das vezes, a pessoa projetada observa seu corpo físico adormecido e fica assustada. Já outros ficam em desespero e mergulham no corpo físico violentamente para sair daquela situação estranha à elas. Outros pensam que estão vivendo um pesadelo e procuram desesperadamente acordar seu corpo físico. Já outras pessoas que se projetam involuntariamente se sentem tão bem nessa situação que não se questionam e não se assustam pelo fato, e nem como ocorreu e por que, pois a sensação de liberdade e flutuação é tão boa que nada mais importa para elas. Quando despertam no corpo físico, muitos imaginam terem tido um sonho bom.  Assim, a pessoa não tem conhecimento do que ocorre e, por isso, vem o medo de tal experiência, esse medo está na razão direta da falta de conhecimento das pessoas sobre esta questão.
Emancipação da alma voluntário

                Neste, a pessoa sai do corpo pela sua vontade, e comanda o desenvolvimento da experiência e está totalmente consciente do que está acontecendo fora do corpo físico. Podendo observar seu corpo carnal com tranquilidade; viajar para lugares diferentes ou conhecidos do plano físico ou extrafísico; podendo voar e atravessar objetos físicos; se encontrar com outros projetados ou espíritos desencarnados… E volta para o corpo físico à hora que desejar. Assim, a pessoa tem pleno conhecimento do que ocorre e procura desenvolver o processo segundo a sua vontade.
 
Sensações da emancipação

•  Catalepsia Projetiva                                                                                                       O projetor pode sentir uma paralisia dos seus membros. Essa paralisia é chamada de catalepsia projetiva ou astral; e não pode e não deve ser confundida com a catalepsia patologia, que é uma doença rara. A catalepsia projetiva pode ocorrer tanto antes, quanto após a projeção. Podendo acontecer da seguinte maneira: a pessoa desperta durante o sono e descobre que não pode se mover, estando completamente paralisado, como se uma força invisível impedisse os movimentos. Muitos em desespero,  tenta gritar, mas não consegue, tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado, tendo uma sensação de agonia e de impotência muito fortes. Depois do ocorrido alguns criam fantasias imaginando que um espírito lhe dominou e parou os seus movimentos. Mas, isto é o efeito da catalepsia projetada, e ela é benigna, não apresentando nenhum risco e sendo totalmente inofensiva, ela apenas pode produzir a projeção se a pessoa ficar calma e pensar em flutuar acima do corpo físico. Depois de algum tempo, que pode variar de alguns segundos até cerca de três minutos, a paralisia do corpo para e o corpo volta a e mover novamente. O que se pode fazer para “despertar” é ficar parado, respirar lentamente e esperar que passe. Enquanto se concentra na respiração, a mente divaga e quando menos espera o corpo deixa de estar paralisado. Outro conselho é tentar mover um dedo e lentamente o resto da mão, do braço… Até que todo o corpo se mova. Ou piscar os olhos, ou focar em um único músculo e tentar movê-lo.                                                                                                                       

•  A Sensação de escorregar ou cair em um buraco                                                             Pode também ocorrer pequenas repercussões físicas no início da projeção, principalmente nos membros. Como, quando se está começando a adormecer, tem a sensação de estar escorregando ou caindo por um buraco; isto acontece por causa de uma pequena movimentação da alma no interior do corpo físico.
 
Estado vibracional

                São vibrações intensas que percorrem a alma e o corpo físico antes da projeção. Na verdade, essas vibrações são causadas pela aceleração das partículas energéticas da alma, criando assim um circulo fechado de energias. Essas energias são totalmente inofensivas e tem como finalidade a separação dos dois corpos, o físico do espiritual.
    Portanto, se você se encontrar nessa situação durante a noite ou durante o dia, e caso não pretenda se projetar fora do corpo físico, e queira recuperar o controle do corpo carnal, basta ter calma e tentar mover um dedo da mão ou uma pálpebra, que imediatamente, readquirirá o movimento.  Mas, se você quiser passar por tal experiência, não tente se mover; fique calmo e pense firmemente em sair do corpo e flutuar acima dele, não tenha medo nem ansiedade e a projeção se realizará.
             Mas, todas as nossas atitudes devem ser tomadas com total consciência e responsabilidade, pois nada deve ser feito de uma forma de brincadeira ou por curiosidade. Mas, temos que ser informados sobre temas como esses, que muitas vezes acontece no nosso dia a dia.

Por Balbino Amaral 

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Mediunidade -Estudo

​MEDIUNIDADE

           
A mediunidade possibilita que uma pessoa seja intermediária entre os espíritos e os homens, e todo o ser humano é um médium, pois a mediunidade é uma faculdade inerente ao homem, assim a predisposição mediúnica não depende do sexo, da idade, do temperamento, da condição social, da raça, da cultura, da religião, da inteligência e até mesmo das qualidades morais.
            A mediunidade apresenta diferentes graus de desenvolvimento e se manifesta de maneira diversa em cada pessoa, todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium, podendo ser desde a mais tenra idade, até a mais avançada.  
         A mediunidade é uma ponte que liga o mundo físico ao mundo espiritual, possibilitando assim: um elo entre os dois mundos, comprovação do mundo espiritual, oportunidade de servir, aperfeiçoamento do espírito,  reencontro com os que já desencarnaram, aprendizado entre encarnados e desencarnados (ou vice-versa, pois podemos ajudar os desencarnados menos evoluídos que nós), ajuda entre os dois mundos; sendo um dom que Deus nos permitiu possuir, nos colocando em relação direta com aqueles que vivem no mundo espiritual. 
           Deus nos deu os sentidos físicos para identificar e facilitar a vivencia no mundo material, que são: a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato. E com a mediunidade Deus nos permite a identificação, a percepção do mundo espiritual, ela lida com energias das quais só podemos perceber seus efeitos, energias que a ciência ainda desconhece, e que são sutis para o nosso corpo físico. 
         É um dom gratuito, o de ser interprete dos espíritos, para  instruções dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, pois Deus quer que a luz chegue a todos. E não para vender palavras que não pertencem ao médium, visto  que não são frutos de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais.   
           O processo de comunicação dá-se somente através da identificação do espírito com o médium, perispírito a perispírito, cujas propriedades de expansibilidade e sensibilidade, entre outras, permitem a captação do pensamento, das sensações e das emoções, que se transmitem de uma mente para outra mente através do veículo sutil, que é o perispírito.  Assim, as comunicações, seja de efeitos físicos e/ou inteligentes, realizam-se pela ação fluídica do espírito sobre o médium, sendo preciso que o fluído deste último se identifique com o do espírito, se conclui assim que, a facilidade das comunicações depende do grau de afinidade existente entre os dois fluídos.  E quanto mais elevado o médium for moralmente e intelectualmente, melhor instrumento este se tornará aos espíritos. 
          Cada médium é assim mais ou menos apto para receber a impressão ou a impulsão do pensamento de tal ou tal espírito; podendo ser bom instrumento para um e péssimo para outro. Se achando juntos dois médiuns, igualmente bem dotados, poderá o espírito manifestar-se por um e não por outro. É um erro acreditar-se que basta ser médium para receber, com igual facilidade, comunicação de qualquer espírito. E lembrando sempre que: o médium não tem o poder de chamar um determinado espírito e ele vim só pelo querer do médium, é como Chico Xavier falava “O telefone só toca de lá pra cá”, ou seja, qualquer médium só se comunica com os espíritos quanto eles querem, quando é necessário, nunca um médium se comunica apenas pela sua vontade. 
         Alguns se admira de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal, ou para o mau. Deus dar esta faculdade a todos, e lhes dá a liberdade de usá-la,isto é o livre arbítrio, mas não deixa de punir o que delas abusa. Assim, a mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os espíritos possam levar a luz em todas as fileiras, em todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos sábios para fortalecer no bem; aos viciosos para os corrigir. 
 
        O desabrochar da mediunidade representa para o ser humano um novo horizonte que se abre para ele. Sendo um convite, um chamado a fim de que se volte para o bem, que desperte para a realidade maior da vida. É uma responsabilidade sim, mas, sendo vivenciada com seriedade, com amor e disciplina, será sempre fonte de benefícios, em primeiro lugar para o próprio médium.   
        Está na hora da mediunidade deixar de ser vista como um peso, um tormento, empecilho; e passar a ser vista e encarada como uma oportunidade de evolução, de aprendizagem e de auxílio. 
Se quer saber mais sobre mediunidade acesse as seguintes postagens:

Post.115 – Os Médiuns: http://jardim-espirita.blogspot.com.br/2014/01/post-115-os-mediuns.html

Post. 116 –  Tipos de Mediunidade: http://jardim-espirita.blogspot.com.br/2014/02/post116-tipos-de-mediunidade.html

Por Balbino Amaral

Estudo

Mediunidade – Estudo 

​RESPONSABILIDADE E ACEITAÇÃO DE TRABALHAR A MEDIUNIDADE

     

 
      Muitos dizem: “Não quero ser médium”, mas não adianta, porque todos somos portadores da mediunidade, embora cada um esteja num nível de desenvolvimento diferente. O que se pode fazer é escolher exercê-la ou não; e se, sabendo desse fato, optamos por não exercitá-la, será preciso, então, nos prepararmos para assumir as consequências dessa escolha, porque a mediunidade é um dos meios que  possibilita nos regenerar perante nossos erros cometidos em existências anteriores, bem como nos harmonizarmos com todos aqueles que sofrem as consequências dos nossos deslizes, ajudar o próximo sem querer nem esperar nada em troca…  Além disto, não trabalhando e não empregando a sua faculdade mediúnica, o médium não se livra da presença e atuação dos espíritos em geral, mas pelo contrário, fica mais a mercê e vulnerável aos maus espíritos por lhe faltar autoridade moral; o estudo dos ensinamentos de Jesus e praticar o bem  com amor e consciência é que faz nossa moral ser elevada.
Vigiar e Orar é fundamental para todos nós, independente de  quem não apresenta mediunidade desenvolvida e principalmente quem possui mediunidade mais desenvolvida, é essencial está sempre em oração e vigiando algum deslize que se pode tomar, pois quando se pratica a Vigília  e a Oração, as baixas e más vibrações são dispersadas, não ficando brecha para maus espíritos se aproximar e causar muitas vezes obsessão e mau para nós.
O desenvolvimento da mediunidade e o seu exercício devem estar apoiados, sobretudo, na prática dos ensinamentos de Jesus, o que, em suma, representa nossa reforma interior. E é justamente isso que as pessoas não querem ou acham difícil e até mesmo impossível a modificação de si mesmos, abandonando os velhos hábitos, as tendências negativas, abandonar a comodidade … Não é difícil o trabalho mediúnico, pois tudo que é feito com amor nos leva a nos sentirmos em outro nível mais elevado, com mais serenidade dentro de nós. E as Casas Espíritas Kardecistas acolhem os médiuns e os ajudam no desenvolvimento da sua faculdade, com estudos e trabalhos que o médium possa executar segundo a sua faculdade e o desenvolvimento dela.
 
Quando nos dedicamos ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade, além de equilibrarmos nossas energias e de passamos a nos sentir melhores, também aprendemos a manter sintonia com os bons espíritos que nos assistem,e  que passam a nos auxiliar sempre que necessitamos. Assim, ganhamos verdadeiros amigos de luz.

Estudo

Reencarnação – Estudo

​PLANEJAMENTO REENCARNATÓRIO

          

         Antes da reencarnação, é preparado todo um projeto para o espírito voltar a matéria, independente dele ser capaz ou não de participar de tal planejamento, pois há caso em que o espírito não tem capacidade de participar deste processo, devido a perturbações que impede analisar a sua vida futura. O objetivo deste planejamento é estabelecer as metas e ajudar na conduta, para reparar as faltas e erros cometidos pelo espírito anteriormente, vendo como vai se dar os objetivos de reencarnação, que é o aprendizado, a evolução moral e espiritual, e as reparações; tudo é levado em conta, as conquistas e as faltas, sendo tudo planejado por espíritos evoluídos, e não existindo reencarnações iguais. 
          Quando o espírito tem condição ele escolhe cada detalhe do corpo físico que habitará, a estatura, o peso, a cor da pele, o tipo de cabelo… ou seja, somos o resultado de nossas própria escolhas, por isso temos que nos aceitar como somos ( a mensagem de Chico Xavier- Somos o que atraímos, fala exatamente disto http://jardim-espirita.blogspot.com.br/2013/04/post30-mensagem-de-chico-xavier-somos-o.html)      
UMA ENCARNAÇÃO SEMI-VOLUNTÁRIA, SE DA DA SEGUINTE FORMA: 

        Primeiramente no planejamento são determinados os grandes acontecimentos, que influi diretamente na vida, como: a escolha dos pais e familiares; o tempo de vida na terra; o sexo; doenças que enfrentará, ou não; casamento; filhos; profissão; o mapeamento dos cromossomos, com a herança dos genitores para determinar as características hereditárias.  
        Nesta fase preparatória o espírito vai perdendo contato com a esfera espiritual, a medida em que a aproximação com os pais se intensifica, pois essa convivência propicia ao espírito entrar no clima vibracional dos pais, para que a sintonia seja a melhor possível, e que interaja com dinâmica com os genitores. 
        No plano extra físico é feito um trabalho de diminuição do perispirito, organizando-o; este processo é para que o espírito se ligue com a célula-ovo quando a fecundação acontecer, a miniaturização do espírito é feita em cima de operações bioenergéticas e magnético-espiritual, sendo executado pelos espíritos construtores.
         O espermatozóide é cuidadosamente selecionado, pois tem que trazer a carga genética apropriada, de acordo com as necessidades estabelecidas anteriormente, com os mapas cromossômicos. Depois da escolha do espermatozóide e do óvulo selecionado, ocorre a fecundação; a partir da fecundação da-se início a formação do corpo, que se estende até o nascimento. Sabemos que o período de formação do corpo se da pelas múltiplas divisões celulares, nesta fase o espírito reencarnante cria por meio do seu perispirito um campo magnético, este atua como um molde onde as células físicas vão se ajustando, para dar forma ao futuro corpo físico.  
        A união do espírito com os implementos físicos começa no momento da concepção, se ligam pelo laço Fluídico que vai se apertando, cada vez mais, então o encaixe final do espírito com o corpo físicos,  se dar quando o bebê nasce e chora pela primeira vez. No entanto, a fase de adaptação a vida não se completa no nascimento, mas aos 7 anos de idade, quando ocorre a plena integração ao corpo físico. 
  
       André Luiz nos informa que nos primeiros 21 dias de gestação a assistência espiritual é muito intensa, pelo fato de ser um período de extrema importância para a formação do futuro corpo, período em que os órgãos e sistemas começam a se formarem. Após esses 21 dias, é diminuído a vigilância espiritual, mas continua presente até o fim da gestação.

Por Balbino Amaral 

Estudo, Odilon Fernandes

MEDIUNIDADE EM ESTUDO – Odilon Fernandes/ C. Baccelli cap 13

TIPO  DE  MEDIUNIDADE

21.  Acontecerá o  mesmo com  aqueles  que  têm  uma aptidão  especial  para  o desenho e a  música? —  Sim;  o  desenho e  a  música  são  também  modos  de se  exprimirem  pensamentos;  os  espíritos  utilizam  os instrumentos  que lhes oferecem mais facilidade. (Cap. XIX-Papel  do  médium  nas  comunicações  espíritas)

A  aptidão  mediúnica  se  revela  em  cada médium  de  acordo  com  a  sua  capacidade  de captar  e  expressar  o  pensamento  dos  espíritos. A  rigor,  ninguém  pode  dizer  ao médium  que  ele  seja  portador  desta  ou daquela  faculdade. Às  vezes,  por  exemplo,  ele  começa como  psicógrafo  e,  depois,  se  define  como psicofônico,  ou  vice-versa.
O  medianeiro  não  deve  cultivar  preferência  por  este  ou  aquele  tipo  de  mediunidade, fugindo  às  suas  características  naturais. Em  essência,  a  base  das  faculdades mediúnicas  de  efeitos  intelectuais  é  a  mesma, não  diferindo  substancialmente  uma  da outra. mento. Mediunidade  é  pensamento  a  pensaQuem  enxerga  ou  escuta  os  espíritos, os  escuta  ou  enxerga  através  do  pensamento. Os  espíritos  poetas  procurarão  um medianeiro  que  tenha  facilidade  no  campo da  poesia. Os  espíritos  pintores  escolherão  um sensitivo  que  possua  predisposição  para  a arte  da  pintura. Raros  são  os  médiuns  que,  possuindo  múltiplas  faculdades,  conseguem atuar  em  todas  elas.  A  faculdade  mediúnica predominante  absorverá  as  demais,  que, assim,  passarão  a  concorrer  pela  melhor produtividade  da  que  se  destaca. A  insatisfação  do  médium  com  a faculdade  de  que  seja  portador,  desejando outra  que  não  possui  ou,  ainda,  ambicionando a  que  determinado  medianeiro  exerce,  praticamente  o  anula  para  a  execução  da  tarefa  que esteja  ao  alcance  de  suas  possibilidades. Infelizmente,  muitos  médiuns,  dotados de  excelentes  recursos  medianímicos,  digamos,  menos  dados  à  publicidade,  complicam-se  por  não  se  contentarem  com  os discretos,  porém  úteis  talentos  que  lhes foram  confiados. Mediunidade  mais  ampla  é  sinônimo de  sensibilidade  que  se  amplia. Não  nos  esqueçamos  de  que  a faculdade  que  Jesus  mais  exercia  em seu  ministério  divino  era  a  da  cura!  Ele ressuscitava  os  mortos,  fazia  andar  os paralíticos,  devolvia  a  visão  aos  cegos, curava  obsedados,  por  meio  da  simples imposição  das  mãos. O  Senhor  endossava  com  as  mãos  a excelência  da  Mensagem  que  verbalizava. A importância,  pois,  do  médium  em serviço  não  está  na  espécie  da  faculdade mediúnica  que  exerça,  e,  sim,  nos  frutos que  advenham  de  seus  esforços.
Discreto  dom  mediúnico  trabalhado com  amor  vale  mais,  para  a  Doutrina,  que a  mais  expressiva  faculdade  exercida  com vaidade  e  personalismo. Ansiando  por  incorporar  espíritos, poucos  são  os  que  se  lembram  de  incorporar as  lições  de  Jesus  no  cotidiano,  transformando-se  em  exemplos  vivos  do  Evangelho. Querendo  psicografar  livros,  raros  os que  se  dispõem  a  grafar,  com  a  própria  vida, as  noções  que  despertam  as  consciências secularmente  adormecidas. Médiuns  de  espíritos  se  multiplicam em  toda  parte,  todavia  médiuns  do  Cristo no  mundo  continuam  sendo  muito  poucos. E  são  justamente  estes  últimos  os  detentores das  mais  preciosas  e  nobres  faculdades postas  a  serviço  da  crença  na  Imortalidade entre  os  homens  na  Terra!

Estudo, Inácio Ferreira

NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 5

CAPÍTULO 5 A  conversa  seguia  mais  descontraída  e  todos  nos  sentíamos  à  vontade  para expormos  os  nossos  pontos  de  vista,  sem  nenhum  constrangimento.  Manoel Roberto  se  recuperara  do  ligeiro  abatimento  e,  a  meu  convite,  passamos  a  uma sala  contígua  onde  poderíamos  dar  seqüência  aquela  reunião  informal… –  Como  é,  Paulino?  —  indagou  Odilon.  —  Confirmou-se  a  tática  que  os  nossos adversários,  ultimamente,  têm  procurado  empregar  contra  nós,  em  nossos contatos  com  os  irmãos  encarnados? –  Sim  —  respondeu  o  simpático  jovem  —,  infelizmente,  não  se  trata  de  uma informação  equivocada;  pudemos  checar  a  veracidade  do  fato  e  é  mais  um problema  que,  doravante,  teremos  que  enfrentar… Curioso,  solicitei  a  Odilon  maiores  esclarecimentos,  pois,  afinal  de  contas,  eu  vivia quase  isolado  entre  os  meus  pacientes,  alheio  ao  que  se  passava  lá  fora. —  Inácio  —  esclareceu  o  confrade,  ante  a  minha  perplexidade  —, inteligências  interessadas  em  manter  o  homem  preso  ao  imediatismo,  no  comando de  vastas  falanges  espirituais,  estão  impedindo  que  os  desencarnados  se aproximem  e  se  manifestem  através  dos  médiuns;  as  comunicações  nas  casas espíritas  têm  escasseado  e  as  que  aconteciam  espontaneamente  fora  dela, prevalecendo-se  da  condição  inconsciente  de  muitos  medianeiros,  diminuíram sensívelmente… —  Como assim? — questionei,  ávido  de  maiores  detalhes. —  Você sabe,  qualquer  comunicação  de  além-túmulo,  sem  que  entremos  aqui no  mérito  de  sua  maior  ou  menor  autenticidade,  induz  o  homem  a  cogitar  de  sua própria  sobrevivência  e,  conseqüentemente,  imprimir  um  novo  rumo  aos  seus passos…  O  intercâmbio  mediúnico  tem  sido  um  manancial  que  sustenta  a  fonte  da crença  —  mesmo  entre  os  que  se  dizem  cépticos,  a  presença  dos  desencarnados que,  diga-se  de  passagem,  não  procuram  apenas  os  médiuns  espíritas  em  sua necessidade  de  contactar  os  homens,  faz  com  que  a  dúvida  se  lhes  insinue  no espírito,  predispondo-os  a  refletir  na  hipótese  na  imortalidade… —  E os inimigos  da Doutrina  estão  agindo?…  —inquiri,  estupefato. —  Vejamos  a  que  extremos  chegaram  —  aduziu  o  Orientador.  —  Estão  se organizando  com  o  propósito  de  impedir  os  médiuns  de  trabalhar  e  as  eventuais comunicações  que  permitem  são  aquelas  passíveis  de  provocar  escândalos,  pelo comprometimento  moral  do  medianeiro…  As  inteligências  desencarnadas  às  quais nos  referimos,  estão  espalhando  o  terror  nas  vias  de  acesso  à  Crosta,  ameaçando com  severas  punições  as  entidades  que  têm  o  hábito  de  se  manifestarem mediunicamente  —  a  maioria  porque,  infelizmente,  ainda  não  conseguiu  se emancipar  completamente  dos  laços  que  a  escraviza  à  Terra,  deixaram  o  corpo, mas  continuam  gravitando  mentalmente  em  torno  de  seus  antigos  interesses… Achar  o  caminho  para  a  Altura  não  é  fácil,  mormente  para  aqueles  que  nunca  se preocuparam  com  a  própria  elevação. — Mas,  Odilon,  o  que  você  está  me  dizendo  é  um  absurdo…  Inacreditável!… — A  coisa,  Inácio,  é  mais  complexa  do  que  parece  à  primeira  vista.  Em  nossas reuniões  mediúnicas,  existem  entidades  que  se  colam  psiquicamente  aos  médiuns e  passam  o  tempo  todo  sem  pronunciar  uma  palavra:  deixam  a  mente  do  médium entorpecida  e  não  consumam  o  transe… Nos  próprios  hospitais  psiquiátricos,  onde  as  manifestações  sempre  foram intensas,  está  imperando  a  lei  do  silêncio.  A  intenção  é  a  de  fazer  crer  que  não existe  vida  depois  da  morte;  o  resto  é  conseqüência…  Não  podendo  calar  os médiuns,  como  outrora  acontecia  nas  fogueiras  inquisitoriais,  estão  calando  ou tentando  calar  os  espíritos.  Por  este  motivo,  temos  observado  que,  no  meio espírita,  os  contatos  mediúnicos  com  entidades  supostamente  mais  esclarecidas têm  se  multiplicado.  Vejamos  o  número  de  livros  assinados  por  novos  autores espirituais… —  Meu  Deus,  como  o  assunto  é  complexo!  —  exclamei,  atinando  para  a gravidade  do  problema. –  Espíritos  que  mentalmente  não  se  submetem,  porque  possuidores  de  certa independência,  furam  obloqueio  e,  encontrando  receptividade  nos  médiuns  à disposição  têm  produzido  obras  literárias  ou  não  que  pouco  acrescentam  ao  corpo doutrinário  e,  além  do  mais,  com  uma  séria  agravante:  a  intensa  produção  de livros  de  qualidade  questionável  sufoca,  no  mercado,  aqueles  que  guardam estreito  vínculo  com  a  Codificação.  Com  o  devido  respeito  que  nos  merecem,  a maioria  dos  medianeiros  em  atividade  ainda  deveria  estar  naquela  fase  de adestramento  de  suas  faculdades.  Antes  de  empunharem  a  caneta  para  escrever, careceriam  de  se  exercitar  na  psicofonia,  no  serviço  de  enfermagem  espiritual junto  às  entidades  sofredoras  do  nosso  Plano. –  Infelizmente,  no  entanto,  a  vaidade  e  o  personalismo,  que  os  espíritos maquiavélicos  sabem  manipular,  têm  lhes  trazido  sérios  prejuízos. — Odilon  —  sabatinei  o  amigo  —,  que  providências  têm  sido  tomadas  por  nós?… Ao  que  estou  informado  pela  História,  a  porta  de  comunicação  com  os  chamados mortos  já  foi  cerrada  mais  de  uma  vez:  Moisés,  com  a  sua  proibição  no Deuteronômio;  quando  o  imperador  Constantino  proclamou  o  Cristianismo  como religião  oficial  do  Estado,  ensej  ando  sua  transformação  em  Catolicismo;  na  Idade Média,  quando  os  sensitivos  eram  considerados  hereges  despoticamente condenados… –  Como,  nos  tempos  modernos,  não  existe  mais  campo  para  cercear  a  liberdade de  pensar  e  de  crer,  embora,  neste  sentido,  ainda  não  tenham  se  extinguido  todos os  focos  de  resistência,  as  inteligências  perversas  que  não  desistem  da hegemonia  planetária  continuam  lutando  e,  ao  que  me  parece,  não  se  encontram dispostas  a  recuar…  Temos  feito  o  possível,  Inácio,  para  sensibilizar  e  alertar  os médiuns  com  os  quais  podemos  contar,  para  que  as  chamas  do  idealismo  não  se transformem  em  cinzas  de  frustração.  A  fogueira  simbólica  que  se  acendeu  entre os  homens,  pelas  luzes  da  Terceira  Revelação,  não  pode  se  apagar,  sob  pena  de mergulharmos  todos  em  trevas  sem  precedentes  na  História  da  Humanidade.  Para fazermos  mais,  porém,  necessitaríamos  contar  com  maior  determinismo  e  boa vontade  da  parte  dos  medianeiros  que,  lamentavelmente,  vêm  se  desvirtuando dos  propósitos  superiores;  estimando  mais  o  aplauso  do  que  o  trabalho,  caem numa  espécie  de  obsessão  serena  que,  de  modo  imperceptível  para  eles, compromete  a  qualidade  de  sua  produção  e  desfigura  os  exemplos  que  são chamados  a  transmitir. —  Hostes  inteiras,  Dr.  Inácio  —  comentou  Paulino  comigo  —,  têm  se movimentado  com  ordens  expressas  de  impedir  que  os  desencarnados  que  vivem nas  imediações  da  Terra  se  comuniquem;  o  cerco  tem  aumentado  e  pairam severas  ameaças  de  punições  sobre  aqueles  que  se  rebelarem… —  Isto  parece  coisa  de  ficção  —  acrescentei;  pasmo.  —  Eu  já  tinha  ouvido falar  de  alguns  espíritas  que  apregoam  um  Espiritismo  sem  espíritos… —  Por  esta  razão,  não  podemos  esmorecer  e,  tanto  quanto  possível, precisamos  insistir  com  os  médiuns  para  que  tomem  maior  consciência  de  suas responsabilidades… —  E com os dirigentes  também,  com  os  responsáveis  pelos  centros  espíritas… —  Certo,  Inácio,  você  está  com  a  razão,  mas  este  é  um  outro  obstáculo  que carece  de  ser  removido,  pois,  quase  sempre,  os  dirigentes  espíritas  não  pensam no  seu  comprometimento  com  a  Causa;  não  podemos  generalizar,  mas  a  falta  de empenho  e  de  ideal  de  certos  dirigentes,  que  centralizam  decisões,  tornam  a  casa espírita  improdutiva  —  vazia  de  tarefas  e,  conseqüentemente,  vazia  de  espíritos operosos  no  bem.  Existem  muitos  espíritas  que,  com  o  dinheiro  dos  outros,  estão construindo  centros  apenas  para  si,  com  a  finalidade  de  terem  um  palco  exclusivo para  as  suas  excentricidades!…