Inácio Ferreira

ESPÍRITAS DOENTES

ESPÍRITAS DOENTES

 

Não, não estamos desejando nos referir àqueles companheiros de Ideal que, por vezes, a ele tanto se doam que, com o passar do tempo, terminam por observar, em pleno campo de luta, o declínio das próprias forças do corpo que dignificam na existência…

Nem tampouco nos referimos àqueles outros irmãos que, compreendendo a necessidade da quitação de débitos adquiridos no pretérito, renascem com problemas orgânicos que, não raro, os limitam em suas atividades em prol da Causa a que se consagram.

Ao escrever sob o assunto-título que nos inspira este arrazoado, queremos nos reportar aos confrades que, em sua militância doutrinária, por falta de defesas espirituais contra o personalismo e a vaidade, terminam por adoecerem do espírito gravemente. E, de maneira lamentável, na atualidade, são muitos os que se encontram quase que completamente tomados por semelhante quadro patológico de tratamento complexo e difícil…

São eles os que se supõem investidos de uma missão divina e se permitem alucinar em plena tarefa, ensejando, de forma concomitante, a atuação dos espíritos inimigos da Doutrina, que, em essência, são os adversários do Cristo no serviço de espiritualização da Humanidade.

Anulados em seu discernimento por absoluta falta de cultivo da virtude da humildade, passam a se crer na condição de luminares da Espiritualidade Superior encarnados na Terra, ou, então, medianeiros na posse de elevados mandatos que objetivam a reforma dos postulados de Allan Kardec, que, em seus Princípios básicos, sempre haverão de permanecer na vanguarda da Terceira Revelação.

De outras vezes, sem maiores pretensões, estabelecem conflitos que, se não se generalizam no Movimento, promovem inúmeras perturbações localizadas, influenciando dezenas e dezenas de espíritos invigilantes que, mentalmente, se lhes submetem aos preceitos de ordem pessoal, através dos quais extravasam as suas frustrações de mando e poder.

Criam eles tantos atalhos perigosos para os que, por si mesmos, não conseguem manter o foco no objetivo a ser alcançado, que se responsabilizam pela falta de aproveitamento real do tempo na encarnação dos grupos que passam a dominar, manipulando-os ao seu talante.

Repetimos: nos dias que correm, são muitos os espíritas adoecidos pela incontida ânsia de se revelarem mais do que efetivamente são, porque, para que realmente se tornassem grandes, não souberam se apequenar, aprendendo a servir ao lado daqueles que se engrandeceram nas últimas fileiras do testemunho a Jesus Cristo!…

Acautelemo-nos para que, assim adoecidos, eles não nos adoeçam, e para que, doentes por nossa vez, não nos transformemos em agentes do contágio da enfermidade que se generaliza em nossas fileiras, vitimando companheiros que, em outras circunstâncias, haveriam de ser de extremo valor para a Causa.

Poucas são as mentes e poucos são os corações que, diante da luz esplendorosa que o Espiritismo irradia, se encontram imunes ao deslumbramento que nos pode impedir a visão de nossas deficiências e imperfeições, na falsa impressão de que a claridade que se projeta em torno de nossos passos parte de nós mesmos, e não da inesgotável fonte de luz que ele representa em nossas vidas.

Se assim, porventura, detectamos em nós o menor traço da doença espiritual que têm comprometido a encarnação de tantos e tantos irmãos de fé espírita, ao ponto de eles se considerarem mais saudáveis que outros, peçamos a Jesus que nos auxilie na cura de tão grave mazela, nem que para isto necessitemos de experimentar qualquer abalo que, de inesperado, nos reduza à nossa própria insignificância.

Mil vezes cair, do que continuar caminhando equivocadamente, sem a bênção de uma pedra que nos intercepte os passos!…

 

INÁCIO FERREIRA

 

Inácio Ferreira

ÚLTIMO REDUTO DA ESPERANÇA

30/12/2013
ÚLTIMO REDUTO DA ESPERANÇA

Enquanto o homem não aceitar a realidade de sua própria sobrevivência, além da morte do corpo físico, ele não se sentirá verdadeiramente motivado a trabalhar em sua melhoria íntima. E, sendo assim, consequentemente, o progresso moral da Humanidade não passará de mera aspiração de espíritos idealistas, que sonham o mesmo sonho que Jesus sonhou, e continua a sonhar para todos os homens na Terra. Por este motivo, tanto quanto possível, os nossos esforços devem se concentrar em torno da bandeira da Imortalidade, porquanto somente ao admiti-la é que o espírito se sentirá responsável pelos seus atos, conferindo à sua existência um sentido ético. Exortamos, pois, a encarnados e desencarnados, para que, juntos, continuemos a trabalhar na propagação das ideias que induzam o homem a refletir na continuidade da vida na Vida de além-túmulo. Para tanto, precisamos de que o Espiritismo prossiga na condição de doutrina pujante e sempre atual, sem, contudo, perder fidelidade aos seus alicerces, que, não obstante, foram fincados com o objetivo de servirem de estrutura lógica ao edifício que apenas começa a se levantar, com o propósito de tocar o firmamento… Carecemos de articulistas que, dos Dois Lados da Vida, através da palavra falada e escrita, forneçam suficiente material de reflexão às criaturas, a fim de que o Espiritismo, como o disse Kardec, possa ser a “Ciência do Infinito”, e não tão somente mais um “ismo” a se bater pelo maior número possível de adeptos, qual se semelhante hegemonia matemática pudesse conferir autenticidade espiritual aos princípios que defende. A razão não mais concebe um Mundo Espiritual mágico, de natureza sobrenatural – aliás, este, além de ter sido o grande equívoco das religiões em geral, vem, igualmente, se transformando em grande empecilho para que o Espiritismo continue a se difundir entre os espíritos de bom senso, pois que, infelizmente, há uma grande tendência em se fazer da Doutrina herdeira teológica do Catolicismo, apenas com o refundir conceitos que se atrelam a uma nova terminologia. Para muitos adeptos do Espiritismo, “Nosso Lar” veio de substituir o Céu dos eleitos, o Umbral, o Purgatório, e as Trevas, as Regiões Infernais… Evidentemente, que tais conclusões não passam de grande equívoco de interpretação, haurido na leitura superficial que se faz das obras de André Luiz, pois o que referido Autor pretendeu foi justamente demonstrar que a Crosta Terrestre, morada temporária dos homens, não é mais que singelo degrau na escada das Dimensões nas quais, sem solução de continuidade, a Vida se manifesta no contexto da Criação Universal. Conceitos como Reencarnação, Desencarnação, Perispírito e Mundo Espiritual, precisam, urgentemente, se ampliar, pois, caso contrário, a questão de se entrar e sair do corpo, em termos de lucidez e libertação do pensamento para o espírito, continuará significando quase nada, como, infelizmente, há séculos e séculos, quase nada, em termos éticos, vem significando, por exemplo, para os adeptos do Hinduísmo, do Budismo, ou de quaisquer outras filosofias que admitam a Palingenesia. Os obstáculos a serem vencidos são imensos, porque, sem dúvida, em nosso próprio campo doutrinário, existem resistências, mas, afinal, este é o nosso desiderato evolutivo –enfrentar resistências dentro e fora de nós mesmos! Doravante, toda e qualquer doutrina religiosa que, rapidamente, não se vincular ao avanço da Ciência ficará ultrapassada, mas toda a Ciência do mundo que não se iluminar no Evangelho do Cristo terminará por se transformar em instrumento de infelicidade dos que pretende beneficiar com as suas conquistas. Que o Senhor nos auxilie no propósito de, incansavelmente, prosseguir trabalhando pelo fortalecimento da Doutrina que, na atualidade, se lhe fez depositária das Palavras de Vida Eterna, porque, ouso afirmar, neste século em que apenas cumpriu com pouco mais que seu primeiro decênio de luta, ela é o último reduto da esperança de que o homem não ceda de vez ao materialismo, e, com simples apertar de botões, não venha a transformar este mundo numa imensa bola de fogo!…

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 30 de Dezembro de 2013.

Inácio Ferreira

OBSESSORES TERRÍVEIS – Inácio Ferreira (médium – Carlos Baccelli)

Antes de lançares sobre os desencarnados a culpa pelos males e aflições que, tantas vezes, padeces na existência carnal, medita na ação dosobsessores terríveis que, em ti mesmo, acalentas, sequer cogitando de sua perniciosa influência.

Tais entidades espirituais, embora sejam tão invisíveis quanto às outras que afirmas te rondarem os passos, costumam ser mais presentes em tua existência que os pobres desencarnados que, indebitamente, rotulas de perturbadores, quando, na maioria das vezes, não passam de criaturas necessitadas de tuas preces.

De maneira sucinta, listaremos abaixo tais agentes das trevas que, habitualmente, se fazem mais presentes em teu dia a dia, sem que tomes qualquer providência para deles te libertar.

Ódio – sob a sua ação funesta és capaz de tomar atitudes altamente comprometedoras de tua paz e felicidade.

Inveja – a sua força pode ser tão avassaladora sobre ti que, debaixo de sua sugestão hipnótica, corres o risco de deixar de viver a tua própria vida para viver a vida dos outros.

Ciúme – no campo do relacionamento humano, já se perdeu a conta do número de vítimas feitas por esse espírito que tem o estranho poder de anular o discernimento de quem por ele é possuído.

Egoísmo – exige exclusividade e, igualmente, não se sabe quantos por ele vivem em regime de completa subjugação moral, a ponto de anular quase todas as possibilidades de crescimento espiritual da criatura a que se enlaça.

Desânimo – atuando com sutileza, suscita infindáveis questionamentos a respeito do que vale ou deixa de valer a pena, em matéria de esforço, e, não raro, se transfigura em depressão e descrença.

Revolta – a dor que esta entidade costuma provocar na alma em que se aloja é tão grande, que, infelizmente, só poderá ser desalojada com o auxílio de uma dor maior ainda.

Ociosidade – aparentemente inofensivo, porém, autêntico lobo em pele de ovelha, este obsessor é o que mais bem sabe se disfarçar e, assim, enganar aqueles que se comprazem em sua companhia.

Ambição – dos agentes das trevas, este, talvez, seja o mais inconsequente de todos, porque, em verdade, enquanto não leva a sua vítima para o túmulo não lhe concede trégua.

Muitos outros obsessores deste naipe, em falanges inumeráveis, óbvio, poderiam ser aqui ainda listados: orgulho, desfaçatez, sensualidade, cupidez, mentira, maledicência, leviandade…

Não obstante, crendo ter cumprido com o papel de denunciá-los, vamos parando por aqui, não sem antes afirmar que estes quadros de obsessão,para os quais quase ninguém cogita de tratamento espiritual sério, através, principalmente, da desobsessão no trabalho da Caridade, são os responsáveis por 90% dos desastres cuja culpa os homens encarnados acham muito mais fácil atribuir aos infelizes desencarnados que, também, tombaram sob o seu talante.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 4 de março de 2013.

 

Inácio Ferreira

Diálogo entre Dr. Inácio Ferreira e Dr. Odilon Fernandes

Encontrei, em um site espírita que leio sempre, um trecho do livro “Na próxima dimensão”, de Carlos A. Baccelli, ditado pelo espírito de Inácio Fereira, médico que, encarnado, cuidava de um sanatório em Uberaba e era ferrenho defensor da doutrina espírita. Ao desencarnar, continuou cuidando de um sanatório (do lado de lá). Ainda não li o livro, mas quero muito faze-lo.

É parte de um diálogo entre o Dr. Inácio e Dr. Odilon Fernandes (fundador da nossa querida Casa do Cinza):

– Mas – redargüiu o valoroso companheiro -, os espíritas haverão de se decepcionar; eu não sei a causa de, ao nos tornarmos espíritas, passarmos a achar que somos privilegiados… A Doutrina nos torna conscientes de nossas enfermidades, porém a tarefa da cura nos pertence, pois a simples condição de adepto do Espiritismo não isenta ninguém de suas provas…
– É, principalmente, do esforço de renovação… O espírita sincero é aquele que não recua diante das lutas que trava para ser melhor. Deus não cultiva preferências… As orações dos fiéis de todas as crenças têm para Ele o mesmo valor; às vezes, quem ora aos pés de um santo de barro ora com maior fervor do que aquele que já libertou a fé de tantas formalidades…
– Como você mudou, Inácio! – brincou Odilon comigo. – Eu diria tratar-se de um espírito… Se eu não fizer esta ressalva, os nossos irmãos do mundo não acreditarão que eu esteja conversando com você, o ferrenho adversário da Igreja Católica…
– Ora, não exagere! Você sabe que eu apenas me defendia, ou melhor, procurava defender a Doutrina… Agora, no entanto, estou aqui, às voltas com a própria realidade…
– E com muito trabalho neste hospital, não é?
– Neste hospital onde, por incrível que pareça, a maioria dos pacientes é espírita… Eu preferiria lidar com um louco espírito do que com um espírita louco… Como somos, Odilon, vaidosos do nosso pequeno saber!
– Muitos médiuns internados aqui?
– O problema maior não são os médiuns que, na maioria das vezes, faliram por falta de discernimento; o problema maior são os dirigentes espíritas, aqueles que quiseram ter as rédeas do Movimento nas mãos e impunham os seus pontos de vista. Já os médiuns se assemelham aos pecadores do Evangelho, mas os dirigentes são os doutores da lei…
– Algum católico ou evangélico por aqui?
– Poucos. E são os que me dão menos trabalho… Conforme lhe disse, os espíritas é que estão mal arrumados: conversam comigo de igual para igual e, não raro, acabam invertendo de papel comigo, ou seja: tratam-me como se o doente fosse eu… Citam trechos de “O Livro dos Espíritos”, referem-se ao Espiritismo científico, fazem questão de demonstrar conhecimentos, no entanto já pude fazer entre eles curiosa constatação: quase todos foram espíritas teóricos; nunca arregaçaram as mangas numa atividade assistencial que, ao contrário, criticavam veladamente…
Conheci alguns deles, quando ainda no mundo – aparteou o devotado amigo. – Um aos quais eu me refiro chegou a combater com veemência o nosso trabalho de Sopa Fraterna na “Casa do Cinza”, em Uberaba; disse-me que o Espiritismo tinha que parar com aquilo, que nós estávamos desvirtuando tudo – o povo precisava de luz, não de pão…
– Por acaso – indaguei -, teria sido o R.?
– Ele mesmo, Inácio – respondeu. Sempre que me via no Mercado Municipal pedindo verduras e legumes para a nossa Sopa, eu tinha que ouvir um sermão… Coitado!… Nem sei se já desencarnou.
– Ele é um dos meus pacientes aqui, Odilon, e, por sinal, é um dos que mais reivindicam…
– O R., internado neste hospital?…
– E deveria dar graças a Deus, pois, a rigor, o seu lugar seria mais embaixo… Não sei como foi que conseguiu chegar até aqui.
Ele cuidava da mãe, que morava sozinha, e não deixava que nada lhe faltasse…
De fato, eu não sei o que seria dos filhos, se não fossem as mães – comentei, emocionado. – Não fosse por elas, as regiões trevosas estariam regurgitando…
– Mas, Odilon – falei, com a intenção de mudar de assunto. E o seu trabalho com os médiuns junto à Crosta, como é que tem se desenrolado?
– Estamos indo, Inácio. Como você não desconhece, os progressos são lentos – tão lentos, que, por vezes, nos parecem inexistentes, mas vamos caminhando. A turma não quer estudar e assumir a tarefa com disciplina. Muitos começam e quase todos desistem…
– Querem colher antes de semear, não é?
– E semear antes de preparar o terreno…
– Não é mesmo fácil perseverar, ainda mais no mundo de hoje, que mete medo em qualquer candidato à reencarnação…
– Porém não existe alternativa; se você deseja escalar a montanha, não adianta ficar rodeando-a, concorda?…
E nem esperar, indefinidamente, melhor tempo para fazê-lo… Creio, Odilon, que talvez este tenha sido o nosso mérito, se é que algum mérito tivemos: embora conscientes de nossas imperfeições e mazelas, ousávamos fazer o que era preciso.
– Os médiuns, Inácio, acham que mediunidade corre por conta dos espíritos; quase nenhum quer ser parceiro ou sócio e entrar com a parte que lhe compete… Fazem uma série de alegações, quase todas sofismas, para justificar a sua falta de empenho e melhor adequação da instrumentalidade.
– O velho “fantasma” da dúvida…
– Dúvida que, conforme sabemos, persistirá em cada um, até que seja definitivamente afastada pela sua lucidez espiritual; é a dúvida que desafia o homem a caminhar… A certeza é o ponto final de jornada empreendida.
– Se o Espiritismo pudesse contar com médiuns mais conscientes… – lamentei.
– Seria uma maravilha, mas estamos confiantes para o futuro… Tudo está certo. Será, por outro lado, que se tivéssemos sobre a Terra um número maior de medianeiros convictos e responsáveis, o excesso de luz, ao invés de lhes facilitar a visão da Verdade, não induziria os homens à cegueira? Sempre me intrigou o fato de Jesus ensinar por parábolas; por que o Mestre não falava claramente?… Creio que não era por falta de capacidade pedagógica ou por pobreza de vocabulário… Ele tencionava nos induzir à procura, exercitando a nossa capacidade interpretativa. A Humanidade não se redimirá coletivamente; a porta é estreita exatamente para conceder passagem a um de cada vez…
– Você, como sempre, tem razão, Odilon – concordei com a linha de raciocínio do companheiro. – É possível que Moisés, se tornasse a viver hoje sobre a Terra, viesse a reeditar a sua proibição dos homens se contactarem com os mortos; queremos mais, no entanto não estamos tão preparados assim…

“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.” (Ayrton Senna)

Mensagem enviada por Ricardo Borges.

Inácio Ferreira

Obsessão Fácil

A influencia espiritual perniciosa, quase sempre, alcança o homem na Terra quando ele menos espera por ela. De repente, através de uma simples contrariedade, de uma irritação momentânea, pode se instalar o estado de espírito patológico que não se consegue prever por quanto tempo há de perdurar.

Dentro daquele circuito de ideias negativas em que, então, passa a viver, a criatura, assim ensimesmada, se torna amarga e irascível, como alguém que, de arma em punho, começa a disparar para todos os lados…

Acreditando-se justificada na súbita indignação de que se vê possuída, investe contra tudo e contra todos, distribuindo ofensas e acusações das quais, mais tarde, haverá de se arrepender…

Sem o menor bom senso, julga atitudes alheias e lavra sentenças condenatórias, sem oferecer a outrem a menor oportunidade de se explicar no que interpreta por equívoco cometido de maneira deliberada com o intuito de prejudicá-la…

Coloca-se no papel de vítima, como se, na imaginária trama urdida contra si, ninguém se importasse com as suas lutas e dificuldades, antes concorrendo para agravá-las que para atenuá-las…

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Previna-se contra este estado obsessivo que, periodicamente, pode elegê-lo por alvo, fazendo com que as pessoas em torno modifiquem o conceito positivo que tenham a seu respeito, porque, então, nestas ocasiões, você revelará desconhecida faceta da própria personalidade nas fragilidades que ainda o caracterizam.

Não se deixe tomar pela cólera, ainda que passageira.

Silencia em seus lábios o verbo contundente, antes que a insensatez de sua palavra promova estragos de difícil reparação.

Não se exponha desnecessariamente com a finalidade de tentar explicar o seu estranhável comportamento.

De um instante para outro, você pode fazer cair por terra o que demorou muito tempo para construir.

Quando você perceber, em você mesmo, súbita alteração em seu estado de humor, no relacionamento com as pessoas mais próximas, considere a possibilidade de estar sendo vítima de processo obsessivo que esteja se lhe insinuando pela retaguarda da própria vigilância.

Recorra aos préstimos da oração e redobre os seus exercícios de humildade, esforçando-se para perseverar na gentileza e na simpatia de sempre no trato com todos aqueles que o rodeiam.

Se necessário, isole-se em local onde, a sós com suas ideias e emoções em conflito, você consiga lutar contra o assédio espiritual que, de inesperado, encontrou ressonância em seu espírito.

Pela justa indignação do Cristo, ao expulsar os vendilhões do templo, não cometa a ingenuidade de querer aceitar o que, em você, certamente não passa apenas de mais um surto de orgulho e vaidade, do qual os espíritos infelizes sabem se prevalecer com o propósito de lhe criar embaraçosa situação.

INÁCIO FERREIRA