Casa do Cinza

"O amor não cogita de recompensa. É um sentimento que se basta." Dr. Odilon Fernandes


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NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 11

CAPÍTULO 11
Dos muitos amigos e companheiros de ideal presentes à recepção que o Mundo Espiritual organizou para Chico Xavier, este espírito cuja grandeza e valor nem nós, os desenfaixados do corpo denso, saberíamos avaliar, nos deparamos com Sebastião Carmelita, a quem já nos referimos, que se fazia acompanhar de Yvonne Pereira, a inesquecível medianeira de “Memórias de um Suicida”; Cairbar Schutel, o Apóstolo de Matão; e Batuíra, o grande baluarte na Doutrina em São Paulo.

Que os nossos irmãos que, porventura, estejam correndo os olhos por estas linhas, me perdoem a omissão involuntária de muitos nomes, pois impossível seria fornecer-lhes uma relação mais completa daqueles expoentes do Espiritismo que vieram saudar a Chico no limiar da Vida Nova.

Entrando a conversar com os referidos confrades, Carmelita deu início ao diálogo, dirigindo-me a palavra:

– Meu caro Inácio, estou deveras impressionado… Eu não podia imaginar a importância da tarefa confiada ao nosso Chico. Tendo tido a oportunidade de privar com ele em algumas ocasiões, eu o admirava pela generosidade de coração e pela autenticidade de suas faculdades mediúnicas, mas… o seu espírito transcendia a tudo isto; confesso-lhe que não atinei com a sua elevação espiritual…

– Os grandes espíritos, Carmelita — aparteou Odilon —, sabem como se camuflar na carne; se, sem se expor tanto, ele suportou ferrenhas perseguições, pensemos no que seria, caso as trevas tivessem “acordado” antes… Não nos esqueçamos de que, nos últimos três anos, os espíritos que se opõem ao Evangelho tentaram comprometê-lo de todas as formas, mas, então, ele já estava a cavaleiro da trama em que procuraram enredá-lo.

— Você tem razão, Odilon — disse Yvonne Pereira.

— Se, em meu diminuto trabalho na condição de médium, me submeti a terríveis assédios e, várias vezes, cheguei a considerar a possibilidade de me afastar, meditemos no que o Chico terá enfrentado para não esmorecer e, é bom que se diga, de desencarnados e encarnados, de não-espíritas e, principalmente, de espíritas. Infelizmente, sempre fomos os mais exigentes… com os outros e por demais condescendentes conosco. O personalismo talvez seja a maior característica de nossa imperfeição; supomos sermos o que efetivamente não somos e nos conferimos, na Doutrina, uma importância que não temos…

— Yvonne — falou o venerável Batuíra —, combati, em mim, essa tendência personalista a vida inteira… Não é fácil para o espírita administrar as próprias mazelas. Estamos imersos nas sombras por muito tempo e, de repente, a luz: ficamos desnorteados, sem saber o que fazer de nós mesmos e nos tornamos presas indefesas dos espíritos que permaneçam à espreita; não fosse a proteção da Misericórdia Divina, cairíamos freqüentemente… De minha parte, afirmo-lhes que procuro me esquecer no trabalho; envolvia-me com os meus doentes, escrevia os meus artigos, orava diariamente, enfim, procurava dar ocupação às mãos e à mente, pois, caso contrário… As vezes, com o propósito de me defender, chegava a ser ríspido com quem me elogiava:

aquelas palavras melífluas soavam aos meus ouvidos como uma cantilena satânica… Felizmente, pude agüentar-me de pé e não me precipitei no abismo de maiores desilusões; não fiz o que deveria ter feito, mas, pelo menos, não cruzei os braços na ociosidade…

— Compreendo o que o nosso Batuíra quer dizer — asseverou Cairbar. Eu também travei lutas sem tréguas… Em muitas ocasiões, os espíritos obsessores me perturbavam tanto, que quase chegava a enlouquecer; eu os ouvia claramente com as propostas escusas que me dirigiam… Não me poupavam nem quando estava em franca atividade doutrinária. Só experimentava certo distanciamento deles quando estava cuidando dos doentes que me buscavam o concurso fraternal ou, então, na condição de enfermo de alma, eu tomava a iniciativa de procurá-los…

— O que o nosso Chico não terá agüentado, não é mesmo?… — indaguei, refletindo nos problemas que igualmente faceara à frente do Sanatório. Por muito menos que ele, os padres planejavam fazer churrasco de mim; mentiras e calúnias eram todos os dias; diziam que eu estava enriquecendo à custa dos dementes e que, a noite, ia para o hospital promover orgias com os meus pacientes… Eu, pelo menos, ainda os mandava a todos para o Inferno e chegava mesmo a acreditar na existência dele, porque, afinal de contas, tinha que existir um lugar chamado Inferno para receber tanta gente sem escrúpulos… Agora, coitado, o nosso Chico nem desabafar podia!…

— Coitado de mim, Dr. Inácio, assim como do senhor e do nosso Paulino! (perdoem-me incluí-los comigo nesta lista), que, embora fora do corpo, continuamos a nos arrastar como se nele ainda estivéssemos —falou Lilito Chaves, já um tanto refeito da emoção de instantes atrás. — Viu como o Chico subiu e quem veio buscá-lo?… Eu pensei que tivera feito muita coisa, mas a verdade é que nada fiz. Se não fosse o conhecimento da Doutrina, teria feito menos ainda, mas…

— A fórmula — tomou novamente Yvonne a palavra — está em sabermos conciliar o cultivo de nós mesmos, que nos requisita momentos de introspecção, e o trabalho em beneficio dos outros… Uma centração e uma descentração, como nos ensinava Teilhard de Chardin. Não podemos nos isolar e não podemos deixar de nos recolher à nossa própria intimidade; carecemos de imitar o movimento das ondas do mar, que se retraem e, de novo, se lançam à praia, como se estivessem num eterno movimento de expansão.

– Resumindo — interveio Carmelita com liberdade é pegar na charrua e, incansavelmente, lavrar e semear… Em se tratando de caridade, é preferível fazer sem pensar; quem se procura muito em si mesmo acaba se perdendo… Vejamos o exemplo de Chico, que nunca se afastou do convívio com o povo; creio que se ele tivesse, mediunicamente, trabalhado mais recluso, talvez as suas obras tivessem ganhado em profundidade, mas, com certeza, teriam perdido em luz espiritual.

Os livros psicografados por ele tão impregnados estão de luz, que bastará a qualquer um tê-los nas mãos para que comece a se iluminar; de cada página emana uma resplendência divina que esclarece e emociona…

— Ao contrário das obras tão humanizadas de muitos outros medianeiros — asseverou Lilito, pesaroso.

— Mas cada qual faz o que pode — retrucou Odilon.

— Não podemos exigir que todos os médiuns se nívelem a Chico Xavier; seria um contra-senso… Em um pomar, cada árvore frutífera é fadada a produzir de acordo com a sua capacidade: entre frutos da mesma espécie, iremos encontrar diferenças de qualidade… Cabe, a quem vai à feira, escolher o que adquire para lhe atender a fome. Não podemos, Lilito, exigir que os nossos irmãos médiuns se trajem, do ponto de vista moral, de acordo com o figurino que talhamos para eles; não raro, sem perceber, estabelecemos comparações e chegamos a ser cruéis com aqueles medianeiros que não são candidatos a missionários mas, sim, à quitação dos próprios débitos.

A conversa seguia interessante, mas as imediações do velório começavam a se esvaziar; quase todas as luzes que se haviam naturalmente acendido já se haviam apagado e, no ar, permanecia apenas doce fragrância que nos inebriava… Estávamos preparando-nos para retornar às nossas atividades, quando Batuíra, num largo sorriso, saudou o companheiro que se aproximava:

– José Gonçalves Pereira!… Como vai você, meu irmão? Onde é que estava, que eu não pude encontrá-lo antes?…


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Mensagem do ESE – Evangelho Segundo o espiritismo 1

Missão dos espíritas
4. Não escutais já o ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo e abismar no nada o conjunto das iniqüidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que haveis posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.
Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. O verdadeiros adeptos do Espiritismo!… sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!
Ó todos vós, homens de boa-fé, conscientes da vossa inferioridade em face dos mundos disseminados pelo infinito!… lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra. Ide, Deus vos guia! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.
Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.
Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz.
Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.
A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza. Parti, então, cheios de coragem, para removerdes essa montanha de iniqüidades que as futuras gerações só deverão conhecer como lenda, do mesmo modo que vós, que só muito imperfeitamente conheceis os tempos que antecederam a civilização pagã.
Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.
Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé. Ide; estes receberão, com hinos de gratidão e louvores a Deus, a santa consolação que lhes levareis, e baixarão a fronte, rendendo-lhe graças pelas aflições que a Terra lhes destina.
Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!
Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade.
Pergunta. – Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho?
Resposta. – Reconhecê-los-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles ensinarão e praticarão. Reconhecê-los-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-los-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-los-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de Sua lei; os que seguem Sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição. – Erasto, anjo da guarda do médium. (Paris, 1863.) (1)
(1) Na terceira edição francesa esta mensagem saiu incompleta e sem assinatura. Completamo-la em confronto com a 1ª edição do original. – A Editora da FEB, em 1948..


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A ARQUITETURA DO PLANO ESPIRITUAL

A ARQUITETURA DO PLANO ESPIRITUAL
 

Registra a descrição do Apóstolo João que pouco antes de sua prisão, Jesus num longo entendimento com seus seguidores, afirmou, entre outras coisas, haver “muitas moradas na Casa de Nosso Pai”. Embora não sendo explícita, a afirmação do Mestre, permite admitir-se a visão dos Celtas, povo de origem indo-europeia que desde dois mil anos antes afirmava dividir-se o Mundo Espiritual em três círculos superpostos:Anunf – círculo infernal; Abred – círculo das migrações / sucessivas reencarnações e Gwinvid – círculo divino / bem-aventurados. Entre os séculos 13 e 14, o florentino Dante Alighieri, perturbado pela morte de uma jovem chamadaBeatriz , teria em estado alterado de consciência visitado regiões extra-físicas ajustadas aos conceitos da religião que seguia descritas como INFERNO (onde depara-se com pecadores que são castigados em ordem progressiva dos pecados cometidos); PURGATÓRIO (local de purificação, pessoas pagam penitência por dívidas morais, cujos saldos são, no entanto, passíveis de liquidação / quitação) e, por fim,  o PARAÍSO (onde repousam pessoas que fizeram a devida penitência de seus pecados; governantes justos; estudiosos de teologia e praticantes do Bem). Segundo ele, cada Esfera divide-se em 9 círculos, perfazendo 27 níveis, obedecendo a uma ordem progressiva conforme o estado de cada habitante dela. No século 19, surge O LIVRO DOS ESPÍRITOS organizado por Allan Kardec que diz, por exemplo, na questão 36 que nada é vazio; o que te parece vazio está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e instrumentos e, na 85, ‘que na ordem das coisas, o MUNDO ESPIRITUAL, preexiste e sobrevive a tudo”. Kardec falaria ainda dos diferentes estados do Espírito na chamada Erraticidade ou Plano Espiritual. Em 1865, o Espírito do médico Franz Anton Mesmer escreveria em mensagem publicada num dos números da REVISTA ESPÍRITA: -“O Mundo dos Invisíveis é como o vosso. Em vez de ser material e grosseiro, é fluídico, etéreo, da natureza do perispirito, que é o verdadeiro corpo do Espírito, tirado desses meios moleculares, como o vosso se forma de coisas mais palpáveis, tangíveis, materiais. O Mundo dos Espíritos não é um reflexo do vosso; o vosso é que é uma imagem grosseira e muito imperfeita do reino de Além-Túmulo”. No século 20, através do médium brasileiro Chico Xavier, o Espírito Maria João de Deus em seu livro CARTAS DE UMA MORTA (1935-1936) explicou que “a Terra é o centro, isto é, a sede de grande número de Esferas Espirituais que a rodeiam de maneira concêntrica, não podendo precisar o número dessas Esferas, porque elas se alongam até um limite que sua compreensão, por enquanto, não pode alcançar”. Mais a frente, o Espírito identificado como André Luiz amplaria essa visão em suas obras dizendo que as Esferas são apresentadas à semelhança de globos que envolvem uns aos outros, os maiores englobando os menores ─ como se fossem bolas de pequenas proporções dentro de outras mais amplas, se interpenetrando segundo uma linha ascendente de evolução que tem origem no interior (ponto de menor evolução) e se projeta para a periferia (ponto de maior evolução). Cada uma dessas divisões compreende outras, conforme asseguram os Espíritos. Tentando traçar um perfil das principais diz:

PRIMEIRA ESFERA – Comporta o Umbral “Grosso” (Núcleo Interno ou Abismo), mais materializado, de regiões purgatoriais mais dolorosas e de cujas organizações comunitárias, conquanto estejam tão próximas, temos poucas notícias.

SEGUNDA ESFERA – Abriga o Umbral mais ameno (Núcleo Externo ou Trevas), onde os Espíritos do Bem localizam, com mais amplitude, sua assistência. Referida por André Luiz como Trevas ou regiões subcrostais. TERCEIRA ESFERA – Nossa morada provisória, ou seja, a Crosta Terrestre.

QUARTA ESFERA – Começa na Crosta, constituindo-se e em zona obscura destinada ao esgotamento dos resíduos mentais. Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham com as criaturas terrenas as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. 

QUINTA ESFERA – Habitada por Espíritos que têm como escopo unicamente o Bem. As Artes e as Ciências, após várias existências sacrificiais na Crosta. 

SEXTA ESFERA –AMOR FRATERNO UNIVERSAL. Região das mais elevadas da Zona Espiritual da Terra, muito acima de nossas noções de forma, em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação de vida, habitada por comunidades redimidas dos Planos Espirituais. 

SÉTIMA ESFERA – Diretrizes do Planeta. Numa de suas inspiradas analogias, o médium Chico Xavier afirmou que se quisermos ter uma ideia próxima do real, basta ‘cortarmos ao meio uma cebola, as camadas sobrepostas e interpenetradas que a compõem’, darão uma ideia da estruturação espacial do Mundo Espiritual.

Por Balbino Amaral


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NA PRÓXIMA DIMENSÃO – Cap. 8

​CAPÍTULO 8 

Inúmeras caravanas e representações continuavam chegando, formando 

extensas filas, que se postavam paralelas às filas organizadas pelos nossos 

irmãos encarnados, a comparecerem ao velório para render a Chico Xavier 

merecidas homenagens. Dezenas e dezenas de jovens, coordenados por Augusto 

César e Jair Presente, dentre outros, formavam grupos especiais que vinham 

recebê-lo no limiar da Nova Vida, gratos por ter sido ele o seu instrumento de 

consolo aos familiares na Terra, quando se viram compelidos à desencarnação… 

A tarefa de Chico Xavier — explicou Odilon, emocionado — não tem fronteiras; 

raras vezes, a Espiritualidade conseguiu tamanho êxito no campo do intercâmbio 

mediúnico… No entanto a força que o sustentava nas dificuldades vinha de Cima, 

pois, caso contrário, teria sucumbido às pressões daqueles que, encarnados e 

desencarnados, se opõem ao Evangelho. Chico, por assim dizer, ocultou-se 

espiritualmente em um corpo franzino e deu início ao seu trabalho, sem que 

praticamente ninguém lhe desse crédito; quando as trevas o perceberam, cite já 

havia atravessado a faixa dos vinte de idade e em franco labor, tendo pronto o 

“Parnaso de Além-Túmulo”, a obra inicial de sua proficua e excelente atividade 

psicográfica… 

— Dr. Odilon — adiantou-se Paulino —, perdoe-me talvez a inoportunidade 

da pergunta: o senhor crê que Chico Xavier seja a reencarnação de Allan Kardec? 

— Não somente creio, Paulino, como tenho elementos para afirmar que ele o é 

— respondeu o Mentor, corajosamente. — Os que se dedicarem a estudar o 

assunto, compulsando, principalmente, a correspondência particular de um e de 

outro perceberão tratar-se do mesmo espírito. É uma questão que, infelizmente, 

ainda há de suscitar muita polêmica entre os espíritas que mourejam na carne, 

mas, para determinado segmento espiritual, no qual eu me incluo, isto é ponto 

pacifico. São notáveis as “coincidências” ou os pontos de contato entre as duas 

personalidades, inclusive na semelhança física… 

— Alegam alguns, porém, que o Codificador era dono de uma personalidade 

austera, ativa, quando a de nosso Chico Xavier é de característica branda, 

passiva… 

— Os que assim se referem não tiveram, evidentemente, oportunidade de privar 

com o primeiro nem com o segundo — ambos eram austeros e brandos, quando a 

brandura ou a austeridade se faziam necessárias. É claro que a tarefa que Chico 

Xavíer desdobrou, no começo do século passado, se deu em condições um tanto 

diversas da que cumpriu com a identidade de Allan Kardec; o meio não deixa de 

exercer certa influência sobre a individualidade, constrangendo-a a adaptar-se às 

novas condições — uma rosa no Brasil será uma rosa, por exemplo, no Japão, no 

entanto as diferenças climáticas são passíveis de alterar-lhe as características, 

tanto no que se refere à coloração quanto ao perfume… O espírito é sempre o 

mesmo, de uma vida para outra, todavia não há, para ele, como livrar-se 

totalmente da carga genética que o transfigura, mas não desfigura… 

Aparteando, o nosso Lilito Chaves considerou: 

— Você tem razão, Odilon; às vezes, na condição de espíritas, esperávamos de 

Chico Xavier atitudes de maior pulso…

O companheiro sorriu e respondeu: 

— Lilito, entendo o alcance de sua colocação, mas, convenhamos, se o nosso 

Chico tivesse sido mais direto em determinadas ocasiões ou adotado uma postura 

mais enérgica, mormente com aqueles que procuravam com ele uma convivência 

mais estreita, agora, ao invés de admirá-lo como vencedor, estaríamos a lamentá-

lo; o que o fez grande foi justamente a sua capacidade de tolerar, de caminhar a 

segunda milha a que o Senhor nos conclama, que nós não estamos dispostos a 

caminhar com os amigos e, muito menos, com os nossos desafetos. Kardec, se 

era firme na defesa da Doutrina através de seus escritos e pronunciamentos, no 

trato pessoal era doce e afável, tendo com Mme. Gaby, a esposa, um 

relacionamento que ia além dos limites do casamento, conforme ainda se concebe 

em nossa sociedade — mais que marido e mulher, os dois eram qual irmãos e, 

sendo mais velha do que ele nove anos, ela sentia por Rivail o amor que uma mãe 

sente pelo filho; antes que Allan Kardec fosse chamado a encetar a obra da 

Codificação, o casal havia renunciado a qualquer tipo de convivência mais íntima 

na esfera sexual, para devotar-se aos valores do espírito, e, tanto é assim, que 

ambos não geraram herdeiros diretos, porqüanto a vontade do Senhor lhes 

reservara mais alta destinação. Os filhos de Allan Kardec são os filhos da Fé 

Raciocinada, que se multiplicam na Família Humana… 

Neste ínterim, aproximando-se de nós a querida Antusa, médium de cura 

que cumprira de maneira exemplar a sua tarefa, após nos termos carinhosamente 

abraçado, Odilon solicitou que a respeitável irmã opinasse sobre o assunto que 

nos ocupava a atenção. 

Sim, Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec — disse convicta. Eu sempre 

o soube, mas, dentro da prova da mudez que me assinalava os dias, nunca pude 

me expressar com clareza; não polemizo com os confrades valorosos que pensam 

diferente, no entanto, no meu caso, possuidora, na Terra, da mediunidade de 

clarividência, várias vezes pude constatar a autenticidade do fato: à minha retina 

espiritual, Chico se transfigurava e, em seu lugar, surgia a simpática figura do 

Codificador; também, muitas vezes, em estado de desdobramento, nos instantes 

em que me era possível deixar o corpo e visitá-lo, eu o encontrava na 

personalidade marcante de Allan Kardec… A camuflagem espiritual era quase 

perfeita. É inegável que a obra de um é o complemento da outra: a mesma linha 

de pensamento, a mesma terminologia, a mesma luz…

– É — atrevi-me a considerar, por minha vez —, com a invasão da França, quando 

da Segunda Guerra, e as mudanças sociais a que o país, posteriormente, se 

submeteu, a árvore simbólica do Cristianismo Restaurado consolidou seu 

transplante no Brasil; seria natural que o pomicultor a tivesse acompanhado… 

Digo-lhes que, nos meus tempos de Sanatório, até os obsessores sabiam que 

Chico era a reencarnação de Allan Kardec; inclusive, um grande amigo nosso, 

aliás, o único amigo padre que tive na vida, Sebastião Carmelita, sabia ser este 

mesmo, por revelação mediúnica que o Chico lhe fizera, o Bispo inquisidor que 

ordenara a incineração dos livros de Allan Kardec, em praça pública, na cidade de 

Barcelona. Certa feita, visitando-nos no hospital psiquiátrico sob a nossa direção, 

Chico confrontou-se com o espírito Tomás de Torquemada, episódio que tive 

oportunidade de narrar, acanhadamente, em meu livro “Sob as Cinzas do 

Tempo”…

Lembrando-me de outros testemunhos, após pequena pausa, acrescentei: 

— A Modesta, que incorporava o espírito Gabriel Delanne e, por vezes, nos 

ensejava ouvir a palavra de Léon Denis, não escondia a convicção de que o 

Codificador estava reencarnado e convivendo conosco em Uberaba; Gabriel 

Delanne, por intermédio de sua faculdade falante, disse-nos com clareza, logo 

após a mudança de Chico de Pedro Leopoldo para Uberaba, que Allan Kardec se 

transferira de domicílio e que, por este motivo, eles estavam se transferindo 

também… É evidente que, quando obtínhamos um comunicado desta natureza, os 

espíritos nos solicitavam o máximo de sigilo e, por este motivo, não tornávamos 

pública a revelação; além do mais, não tínhamos provas cabais para oferecer aos 

Tomés do Espiritismo, os que, negando-se a enxergar com os olhos da razão, 

querem ver com os olhos físicos o que depois pedem para tocar com as mãos…


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Viagem astral

​VIAGEM ASTRAL: UMA EMANCIPAÇÃO DA ALMA

 

A emancipação da alma é a capacidade que todo ser humano tem de projetar a sua consciência para fora do corpo físico. Quase todas as noites nos projetamos, mas o cérebro apresenta dificuldades para registrar lembranças de eventos de quando a consciência está fora do corpo. Por isso, confundimos certas viagens astrais com sonhos.
Essa experiência tem diversos nomes dependendo do segmento doutrinário, como: Viagem Astral (Esoterismo); Projeção Astral (Teosofia); Experiência Fora do Corpo (Parapsicologia); Viagem da Alma (Eckancar); Projeção do Corpo Psíquico ou Emocional (Rosa Cruz); Projeção da Consciência (Projeciologia); e para o Espiritismo Desdobramento, Desprendimento Espiritual ou Emancipação da Alma.
 

Vamos chamar os espíritos que passam por essa experiência de projetores. Há projetores que só se projetam próximos ao seu corpo físico, dentro do ambiente que está dormindo, sem jamais se projetar para lugares distantes, já outros pode ir para lugares distantes, sendo conhecidos ou desconhecidos. E muitos sonhos de vôo e de queda estão relacionados diretamente com a movimentação da alma durante a projeção da consciência. Vejamos os tipos de emancipação:
Emancipação da alma involuntária

                Neste tipo de emancipação a pessoa sai do corpo sem querer e não entende como isso acontece. Em alguns casos a emancipação ocorre antes mesmo da pessoa adormecer, mas, em geral, é quando a pessoa se deita e adormece normalmente, e “desperta” flutuando fora do seu corpo físico. Na maioria das vezes, a pessoa projetada observa seu corpo físico adormecido e fica assustada. Já outros ficam em desespero e mergulham no corpo físico violentamente para sair daquela situação estranha à elas. Outros pensam que estão vivendo um pesadelo e procuram desesperadamente acordar seu corpo físico. Já outras pessoas que se projetam involuntariamente se sentem tão bem nessa situação que não se questionam e não se assustam pelo fato, e nem como ocorreu e por que, pois a sensação de liberdade e flutuação é tão boa que nada mais importa para elas. Quando despertam no corpo físico, muitos imaginam terem tido um sonho bom.  Assim, a pessoa não tem conhecimento do que ocorre e, por isso, vem o medo de tal experiência, esse medo está na razão direta da falta de conhecimento das pessoas sobre esta questão.
Emancipação da alma voluntário

                Neste, a pessoa sai do corpo pela sua vontade, e comanda o desenvolvimento da experiência e está totalmente consciente do que está acontecendo fora do corpo físico. Podendo observar seu corpo carnal com tranquilidade; viajar para lugares diferentes ou conhecidos do plano físico ou extrafísico; podendo voar e atravessar objetos físicos; se encontrar com outros projetados ou espíritos desencarnados… E volta para o corpo físico à hora que desejar. Assim, a pessoa tem pleno conhecimento do que ocorre e procura desenvolver o processo segundo a sua vontade.
 
Sensações da emancipação

•  Catalepsia Projetiva                                                                                                       O projetor pode sentir uma paralisia dos seus membros. Essa paralisia é chamada de catalepsia projetiva ou astral; e não pode e não deve ser confundida com a catalepsia patologia, que é uma doença rara. A catalepsia projetiva pode ocorrer tanto antes, quanto após a projeção. Podendo acontecer da seguinte maneira: a pessoa desperta durante o sono e descobre que não pode se mover, estando completamente paralisado, como se uma força invisível impedisse os movimentos. Muitos em desespero,  tenta gritar, mas não consegue, tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado, tendo uma sensação de agonia e de impotência muito fortes. Depois do ocorrido alguns criam fantasias imaginando que um espírito lhe dominou e parou os seus movimentos. Mas, isto é o efeito da catalepsia projetada, e ela é benigna, não apresentando nenhum risco e sendo totalmente inofensiva, ela apenas pode produzir a projeção se a pessoa ficar calma e pensar em flutuar acima do corpo físico. Depois de algum tempo, que pode variar de alguns segundos até cerca de três minutos, a paralisia do corpo para e o corpo volta a e mover novamente. O que se pode fazer para “despertar” é ficar parado, respirar lentamente e esperar que passe. Enquanto se concentra na respiração, a mente divaga e quando menos espera o corpo deixa de estar paralisado. Outro conselho é tentar mover um dedo e lentamente o resto da mão, do braço… Até que todo o corpo se mova. Ou piscar os olhos, ou focar em um único músculo e tentar movê-lo.                                                                                                                       

•  A Sensação de escorregar ou cair em um buraco                                                             Pode também ocorrer pequenas repercussões físicas no início da projeção, principalmente nos membros. Como, quando se está começando a adormecer, tem a sensação de estar escorregando ou caindo por um buraco; isto acontece por causa de uma pequena movimentação da alma no interior do corpo físico.
 
Estado vibracional

                São vibrações intensas que percorrem a alma e o corpo físico antes da projeção. Na verdade, essas vibrações são causadas pela aceleração das partículas energéticas da alma, criando assim um circulo fechado de energias. Essas energias são totalmente inofensivas e tem como finalidade a separação dos dois corpos, o físico do espiritual.
    Portanto, se você se encontrar nessa situação durante a noite ou durante o dia, e caso não pretenda se projetar fora do corpo físico, e queira recuperar o controle do corpo carnal, basta ter calma e tentar mover um dedo da mão ou uma pálpebra, que imediatamente, readquirirá o movimento.  Mas, se você quiser passar por tal experiência, não tente se mover; fique calmo e pense firmemente em sair do corpo e flutuar acima dele, não tenha medo nem ansiedade e a projeção se realizará.
             Mas, todas as nossas atitudes devem ser tomadas com total consciência e responsabilidade, pois nada deve ser feito de uma forma de brincadeira ou por curiosidade. Mas, temos que ser informados sobre temas como esses, que muitas vezes acontece no nosso dia a dia.

Por Balbino Amaral 


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Mediunidade -Estudo

​MEDIUNIDADE

           
A mediunidade possibilita que uma pessoa seja intermediária entre os espíritos e os homens, e todo o ser humano é um médium, pois a mediunidade é uma faculdade inerente ao homem, assim a predisposição mediúnica não depende do sexo, da idade, do temperamento, da condição social, da raça, da cultura, da religião, da inteligência e até mesmo das qualidades morais.
            A mediunidade apresenta diferentes graus de desenvolvimento e se manifesta de maneira diversa em cada pessoa, todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium, podendo ser desde a mais tenra idade, até a mais avançada.  
         A mediunidade é uma ponte que liga o mundo físico ao mundo espiritual, possibilitando assim: um elo entre os dois mundos, comprovação do mundo espiritual, oportunidade de servir, aperfeiçoamento do espírito,  reencontro com os que já desencarnaram, aprendizado entre encarnados e desencarnados (ou vice-versa, pois podemos ajudar os desencarnados menos evoluídos que nós), ajuda entre os dois mundos; sendo um dom que Deus nos permitiu possuir, nos colocando em relação direta com aqueles que vivem no mundo espiritual. 
           Deus nos deu os sentidos físicos para identificar e facilitar a vivencia no mundo material, que são: a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato. E com a mediunidade Deus nos permite a identificação, a percepção do mundo espiritual, ela lida com energias das quais só podemos perceber seus efeitos, energias que a ciência ainda desconhece, e que são sutis para o nosso corpo físico. 
         É um dom gratuito, o de ser interprete dos espíritos, para  instruções dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, pois Deus quer que a luz chegue a todos. E não para vender palavras que não pertencem ao médium, visto  que não são frutos de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais.   
           O processo de comunicação dá-se somente através da identificação do espírito com o médium, perispírito a perispírito, cujas propriedades de expansibilidade e sensibilidade, entre outras, permitem a captação do pensamento, das sensações e das emoções, que se transmitem de uma mente para outra mente através do veículo sutil, que é o perispírito.  Assim, as comunicações, seja de efeitos físicos e/ou inteligentes, realizam-se pela ação fluídica do espírito sobre o médium, sendo preciso que o fluído deste último se identifique com o do espírito, se conclui assim que, a facilidade das comunicações depende do grau de afinidade existente entre os dois fluídos.  E quanto mais elevado o médium for moralmente e intelectualmente, melhor instrumento este se tornará aos espíritos. 
          Cada médium é assim mais ou menos apto para receber a impressão ou a impulsão do pensamento de tal ou tal espírito; podendo ser bom instrumento para um e péssimo para outro. Se achando juntos dois médiuns, igualmente bem dotados, poderá o espírito manifestar-se por um e não por outro. É um erro acreditar-se que basta ser médium para receber, com igual facilidade, comunicação de qualquer espírito. E lembrando sempre que: o médium não tem o poder de chamar um determinado espírito e ele vim só pelo querer do médium, é como Chico Xavier falava “O telefone só toca de lá pra cá”, ou seja, qualquer médium só se comunica com os espíritos quanto eles querem, quando é necessário, nunca um médium se comunica apenas pela sua vontade. 
         Alguns se admira de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal, ou para o mau. Deus dar esta faculdade a todos, e lhes dá a liberdade de usá-la,isto é o livre arbítrio, mas não deixa de punir o que delas abusa. Assim, a mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os espíritos possam levar a luz em todas as fileiras, em todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos sábios para fortalecer no bem; aos viciosos para os corrigir. 
 
        O desabrochar da mediunidade representa para o ser humano um novo horizonte que se abre para ele. Sendo um convite, um chamado a fim de que se volte para o bem, que desperte para a realidade maior da vida. É uma responsabilidade sim, mas, sendo vivenciada com seriedade, com amor e disciplina, será sempre fonte de benefícios, em primeiro lugar para o próprio médium.   
        Está na hora da mediunidade deixar de ser vista como um peso, um tormento, empecilho; e passar a ser vista e encarada como uma oportunidade de evolução, de aprendizagem e de auxílio. 
Se quer saber mais sobre mediunidade acesse as seguintes postagens:

Post.115 – Os Médiuns: http://jardim-espirita.blogspot.com.br/2014/01/post-115-os-mediuns.html

Post. 116 –  Tipos de Mediunidade: http://jardim-espirita.blogspot.com.br/2014/02/post116-tipos-de-mediunidade.html

Por Balbino Amaral


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Mediunidade – Estudo 

​RESPONSABILIDADE E ACEITAÇÃO DE TRABALHAR A MEDIUNIDADE

     

 
      Muitos dizem: “Não quero ser médium”, mas não adianta, porque todos somos portadores da mediunidade, embora cada um esteja num nível de desenvolvimento diferente. O que se pode fazer é escolher exercê-la ou não; e se, sabendo desse fato, optamos por não exercitá-la, será preciso, então, nos prepararmos para assumir as consequências dessa escolha, porque a mediunidade é um dos meios que  possibilita nos regenerar perante nossos erros cometidos em existências anteriores, bem como nos harmonizarmos com todos aqueles que sofrem as consequências dos nossos deslizes, ajudar o próximo sem querer nem esperar nada em troca…  Além disto, não trabalhando e não empregando a sua faculdade mediúnica, o médium não se livra da presença e atuação dos espíritos em geral, mas pelo contrário, fica mais a mercê e vulnerável aos maus espíritos por lhe faltar autoridade moral; o estudo dos ensinamentos de Jesus e praticar o bem  com amor e consciência é que faz nossa moral ser elevada.
Vigiar e Orar é fundamental para todos nós, independente de  quem não apresenta mediunidade desenvolvida e principalmente quem possui mediunidade mais desenvolvida, é essencial está sempre em oração e vigiando algum deslize que se pode tomar, pois quando se pratica a Vigília  e a Oração, as baixas e más vibrações são dispersadas, não ficando brecha para maus espíritos se aproximar e causar muitas vezes obsessão e mau para nós.
O desenvolvimento da mediunidade e o seu exercício devem estar apoiados, sobretudo, na prática dos ensinamentos de Jesus, o que, em suma, representa nossa reforma interior. E é justamente isso que as pessoas não querem ou acham difícil e até mesmo impossível a modificação de si mesmos, abandonando os velhos hábitos, as tendências negativas, abandonar a comodidade … Não é difícil o trabalho mediúnico, pois tudo que é feito com amor nos leva a nos sentirmos em outro nível mais elevado, com mais serenidade dentro de nós. E as Casas Espíritas Kardecistas acolhem os médiuns e os ajudam no desenvolvimento da sua faculdade, com estudos e trabalhos que o médium possa executar segundo a sua faculdade e o desenvolvimento dela.
 
Quando nos dedicamos ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade, além de equilibrarmos nossas energias e de passamos a nos sentir melhores, também aprendemos a manter sintonia com os bons espíritos que nos assistem,e  que passam a nos auxiliar sempre que necessitamos. Assim, ganhamos verdadeiros amigos de luz.