Chico Xavier

Psicografia de Chico Xavier Brasil – Castro Alves – 1971

BRASIL                             

   Castro Alves

Brasil, o Mundo a escutar-te,

Pergunta hoje: “O que é?”

Ah! Terra de minha vida,

Responde às Nações de pé!

Das montanhas altaneiras,

Dentro das próprias fronteiras,

Alonga os braços – Sansão!

Sem prepotência ou vangloria,

Grava no livro da História,

Novo rumo à evolução!

Contempla a sombra da guerra,

Dragão do lodo a rugir,

Envenenando a Cultura,.

Ameaçando o Porvir!…

Fala – assembléia de bravos –

Aos milhões de homens escravos

Sábios loucos prometheus…

Do píncaro a que te elevas.

Dissolve os grilhões das trevas

Na fé que te induz a Deus!

Brada – gigante das gentes –

Proclama com destemor

Que o Cristo aguarda na Terra

Um novo mundo de Amor!

Ante a grandeza que estampas,

Os mortos voltam das campas,

Sublimando-te a visão!. 

Ao progresso Fernão Dias!…

O Dever mostra Caxias,

Deodoro a renovação!…

Dos sonhos do Tiradentes,

Que se alteiam sempre mais,

Fizeste Apóstolos, Gênios,

Estadistas, Generais…. 

De todos os teus recantos

Despontam palmas de santos,.

Augusto pendões de heróis!…

Astros de brilhos tamanhos

Andrada, Feijó, Paranhos,

Em teus céus brilham por soes!…

Desde o dia em que nasceste,

Ao fórceps de Cabral

O tempo se iluminou,

Na Bahia maternal!…

Hoje, que o mundo te espera

Para as leis da Nova Era,

Por Brasília envolta em luz,

Que em ti a vida se integre,

De Manaus a Porto Alegre,

No Espírito de Jesus!…

Ao resguardar o Direito,

Mantendo a Justiça e o Bem,

Luta e rasga o próprio peito,

Mas não desprezes ninguém!…

Levanta o grande futuro,

Ergue tranqüilo e seguro,

A paz nobre e varonil!…

À humanidade que chora,

Clamando: “Senhor… e agora?!”

O Cristo aponta: Brasil!…

 

 

O POETA SE IDENTIFICA

 

Irmão Saulo

 

O poema de Castro Alves que encerrou o “Pinga Fogo’ do Canal 4, na noite de 20 de dezembro de 1971, com o médium Francisco Cândido Xavier, oferece todos os elementos de identificação do poeta.

Outra consideração de importância fundamental a fazer-se é a de que o poema “Brasil” representou uma síntese poética dos momentos culminantes do “Pinga Fogo”, quando foram postos em foco os problemas da atualidade brasileira. O poema brotou espontâneo, escrito a jato, na velocidade característica da psicografia, revelando a presença espiritual e emocional do poeta nos diálogos que se travaram. Impossível negar, diante desse conjunto de elementos favoráveis e de um pouco de conhecimento dos problemas espíritas, a legitimidade dessa mensagem mediúnica.

Composto em estrofes de dez versos setissílabos, tem a forma poética de “O Livro e a América” e o mesmo estilo épico, a mesma garra condoreira, o mesmo ímpeto místico-teórico daquele poema. O que mais devia impressionar aos que desejarem analisá-lo é a conotação de contemporaneidade entre eles. Em “O Livro e a América” o poeta coloca o Novo Mundo em face do Velho Mundo como um prolongamento deste, mas também como um passo evolutivo no desenvolvimento do Planeta. Na segunda estrofe faz os Andes – como braços levantados – apontarem para a amplidão. No poema “Brasil”, faz o Cristo apontar ao mundo, em desespero, a vastidão brasileira.

O tema é quase o mesmo. Num, a América é a esperança de paz e cultura que surge diante do materialismo guerreiro da Europa. Noutro, é o Brasil que rasga uma perspectiva espiritual para os insanáveis conflitos de sangue e fogo em que se perdem as velhas nações da Terra.

As metáforas condoreiras se assemelham e se equivalem, apenas atenuadas no poema de agora pela ternura evangélica. Há felizes conotações de imagens, como a que se nota, por exemplo, entre as figuras de Briaréu, no primeiro poema, e a de Sansão no segundo. É ainda mais expressiva a conotação entre os braços dos Andes apontando a amplidão e as montanhas altaneiras, dentro das próprias fronteiras, alongando-se como braços para assinalar novo rumo à evolução.

Outra consideração de importância fundamental a fazer-se é a de que o poema “Brasil” representou uma síntese poética dos momentos culminantes do “Pinga Fogo”, quando foram postos em foco os problemas da atualidade brasileira. O poema brotou espontâneo, escrito a jato, na velocidade característica da psicografia, revelando a presença espiritual e emocional do poeta nos diálogos que se travaram. Impossível negar, diante desse conjunto de elementos favoráveis e de um pouco de conhecimento dos problemas espíritas, a legitimidade dessa mensagem mediúnica.

 

Livro “Chico Xavier pede licença” Psicografia Francisco C. Xavier Autores diversos

 

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